Comandantes com diferentes temperamentos

Os imperadores Frederico II e Napoleão Bonaparte viveram em épocas diferentes e também muito díspares foram os seus temperamentos enquanto comandantes militares. Frederico tratava com rudeza os soldados do império prussiano e Napoleão era condescendente com os militares do exército imperial francês.

Napoleão Bonaparte

Vejamos qual era a índole dos dois imperadores através de um pequeno episódio ocorrido com cada um deles.

Durante a campanha da Silésia, Frederico, rondando o acampamento pela calada da noite, viu luz na barraca do capitão Zietern, o que contrariava as suas ordens terminantes. O imperador confrontou o oficial com o seu acto de rebeldia, e este desculpou-se com a necessidade que teve de escrever uma carta a sua mulher, que há muito não recebia notícias suas. Indiferente ao argumento e aos bons serviços prestados pelo garboso capitão, Frederico ordenou-lhe:
– Acrescentai à vossa carta o que vou ditar-vos: «amanhã morrerei enforcado».
No dia seguinte o infractor foi de facto executado, punindo-se a sua conduta e servindo de exemplo aos que não obedecessem às ordens imperiais.

No final da duríssima batalha de Arcole, que durou dois dias, Napoleão Bonaparte visitou o campo e encontrou, num posto avançado, uma sentinela a dormir. O imperador desceu calmamente do cavalo, pegou na arma do soldado e ficou a seu lado vigiando. Quando este acordou, vendo o imperador empunhando a sua espingarda, julgou-se perdido e ajoelhou-se a seus pés, pedindo perdão e misericórdia. Napoleão olhou para ele com indulgência e disse-lhe:
– Depois de tão penosa luta compreende-se que um valente como tu caia de sono e de fadiga. Perdoo-te, mas promete-me que de futuro escolherás melhor o tempo e o lugar para descansares.

Em conclusão, podemos afirmar que a disciplina rigorosa de Frederico levou o exército alemão a Paris, mas também que o génio e o carisma de Napoleão levaram as águias imperiais francesas a Berlim. Ora assim se prova que comandantes com diferentes, e até opostos, temperamentos podem ter igual sucesso nas armas.
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«Histórias de Almanaque», por Paulo Leitão Batista

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