Quando os compromissos são postos em causa…

Maria Rosa Afonso - Orelha - Capeia Arraiana

Vivemos tempos de uma crescente agitação social, nomeadamente na função pública, em que se sucedem greves e manifestações de diferentes profissionais – professores, enfermeiros, magistrados, polícias… – mostrando que foram criadas expetativas e, nalguns casos, assumidos compromissos que o governo não cumpriu.

Ministério das Finanças e da Administração Pública - Capeia Arraiana

Ministério das Finanças e da Administração Pública

No geral, parece existir uma certa ligeireza, nos compromissos que assumimos, seja a nível individual, social ou institucional; comprometemo-nos com algo, mas isso não é impeditivo de, na esquina mais próxima, encontrarmos uma desculpa para esquecer o que prometemos. Este esquecimento é, particularmente, visível na política, porque há alturas em que se promete tudo a todos e depois vê-se que o país não comporta tanta despesa pública – como recorda e impõe o ministro das finanças que manda muito, mesmo.

Bem, mas isto devia ter sido visto, antes das promessas feitas; pois, o argumento económico (o equilíbrio das contas, a diminuição da dívida…), mesmo sendo aceitável, não tira justiça ao anteriormente acordado com os diferentes profissionais. Ou seja, justo é os compromissos assumidos, serem cumpridos, por todos, não podendo, uma das partes, de modo unilateral, pô-los em causa.

Os compromissos não são meras formalidades; são acordos negociados, sobre questões concretas, construídos, em discussão alargada, entre as diferentes partes (sejam pessoas singulares, movimentos sociais, sindicatos, associações ou ordens profissionais…), em que se presume que todos estão de boa fé, têm a informação devida e são capazes de assumir responsabilidades, sem perderem de vista o sentido do interesse comum, mesmo defendendo interesses particulares ou de grupo. Portanto, o expectável é que sejam acordos equilibrados e justos, em que há um comprometimento recíproco a ser respeitado.

Quando isto não acontece, aumenta o descontentamento, a desconfiança e a conflitualidade; assistiremos, seguramente, a um subir de tom e a uma sucessão de ações reivindicativas, nos próximos meses. E, então, devia o governo dar tudo a todos? Não, deve defender o interesse comum, sempre, mas não pode prometer o que não está em condições de dar. Para mim, qualquer compromisso entre pessoas de bem tem valor ético, é uma obrigação. O mesmo com a palavra dada.

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«Rostos e Contextos», crónica de Maria Rosa Afonso

One Response to Quando os compromissos são postos em causa…

  1. António Emídio diz:

    Maria Rosa Afonso :

    É ano de eleições…E só quem é sectário é que ainda não viu como é que a dona do Euro, a Alemanha Imperialista permitia a um membro da periferia arruinada, da periferia da U.E. ser um « mãos rotas » a nível social. Prometer não custa nada !

    António Emídio

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