Faleceu o dr. João Bigotte Chorão

Adérito Tavares - Na Raia da Memória - © Capeia Arraiana (orelha)

João Bigotte Chorão nasceu na cidade da Guarda, em 1933, e faleceu no passado sábado, dia 23 de Fevereiro de 2019. Pertencia a uma distinta família com ligações ao Sabugal, sendo irmão do Dr. Mário Bigotte Chorão, professor de Direito na Universidade Católica. Era casado com a Dra. Maria José Mexia, antiga conservadora do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, e pai do poeta e ensaísta Pedro Mexia.

João Bigotte Chorão - Capeia Arraiana

João Bigotte Chorão (Foto: D.R.)

Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, João Bigotte Chorão foi um brilhante intelectual que se destacou particularmente como crítico literário e investigador da obra de Camilo Castelo Branco, sobre o qual publicou vários livros. Dirigente do Círculo Eça de Queirós, publicou também estudos sobre a obra do autor de Os Maias. Foi igualmente director literário da Verbo, tendo organizado e dirigido algumas das obras mais emblemáticas desta prestigiada editora, como as enciclopédias Biblos, Logos, Polis e Verbo.

Pelo seu livro Diário Quase Completo, de 2001, recebeu o Grande Prémio de Literatura Biográfica atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores. A sua obra derradeira, um novo Diário, foi publicada em 2018 pela INCM.

Amigo pessoal de Jesué Pinharanda Gomes, estamos certos de que este nosso conterrâneo e colaborador do «Capeia Arraiana» sentiu profundamente, como todos nós, a perda de uma personalidade da craveira de João Bigotte Chorão. Pinharanda Gomes escreveu neste blogue um texto sobre J. Bigotte Chorão que os leitores podem ler (ou reler)… (Aqui.)

Em Novembro de 1996 decorreu no Sabugal o Congresso do 7.º Centenário do Foral do Sabugal, atribuído pelo rei D. Dinis. A Comissão organizadora, presidida pelo Dr. Paulo Leitão Batista, teve desde logo a colaboração entusiástica de Pinharanda Gomes e o patrocínio e apoio da Câmara Municipal do Sabugal, tanto na organização e concretização do Congresso como na posterior publicação das respectivas actas. Entre os mais destacados palestrantes contaram-se João Bigotte Chorão e Mário Bigotte Chorão, o primeiro com a comunicação «A Interioridade e a Raia» e o segundo com a comunicação «O Foral de 1296».

Também a Dra. Maria José Mexia deu um prestimoso contributo na organização da exposição documental feita em 1997 em Figueira de Castelo Rodrigo, uma das várias exposições temáticas do Congresso Luso-Espanhol sobre o VII Centenário do Tratado de Alcanices.

A região ribacudense ficou culturalmente mais pobre com o desaparecimento de João Bigotte Chorão.

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«Na Raia da Memória», opinião de Adérito Tavares

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