Pigmeus – a verdade e o mito

Pigmeu é a designação de alguém cuja altura média é invulgarmente baixa. Há povos pigmeus, sendo os mais famosos os Mbuti, onde os homens adultos crescem, em média, a menos de 150 centímetros de altura.

Pigmeus africanos com um explorador europeu

Um membro um pouco mais alto no grupo é denominado pigmoide. Existem pigmeus no Sul da Ásia, Oceania, Brasil, Bolívia, Ruanda, Uganda e República Democrática do Congo.

O termo “pigmeu” é muitas vezes considerado preconceituoso. Cada povo prefere ser chamado pelo seu respectivo nome, embora não haja outro termo para se referir aos povos como grupo.

Durante muito tempo a existência dos pigmeus não passava de um mito, em parte lançado por Homero. Seriam seres humanos muito pequenos, existentes nos confins de África e da Ásia, que tinham apenas um côvado de altura (cerca de 45 centímetros).

O clérigo e literato Rafael Bluteau, inglês, filho de franceses, que se radicou em Portugal e que aqui faleceu em 1734, falou dos pigmeus no seu livro Histoire de rire. Aí citou um certo escritor do seu tempo que, fundando-se em incertas memórias, escreveu o seguinte:

«Que os pigmeus vivem só oito anos, e que as suas fêmeas parem cinco de cada ventre;
Que logo depois de nascidos os pais os escondem em umas tocas, por medo dos grous, que os engolem como nabos;
Que são tão sóbrios que uma perna de cotovia é para eles um baquete, porque o seu comer ordinário é um assado de três moscas, e os espetos são espinhos de ouriço cacheiro, ou para assados mais corpulentos espinhos de porco espinho;
Que os vasos em que bebem são caroços de cereja;
Que cada bebida são duas ou três gotas de orvalho, que eles colhem na primavera, e conservam em ovos de avestruz, que lhes servem de talhas;
Que os seus pratos são escamas de gorazes, e as suas tigelas cascas de bolotas.»

E o Padre Bluteau vai por diante, comentando as palavras de tal autor (que não identifica), com um certo ar de mofa:
«Que poderei eu dizer de uma gente que não é gente? Direi que os pigmeus são epítomes do género humano, embriões da posteridade de Adão, e fragmentos da sua descendência; bonecos com alma, títeres sem rodas nem cordas, e bonifrates com gesto próprio e natural movimento.»

E depois o clérigo e escritor conclui:
«Atrás de tão pequenina, tão sumida, tão breve, tão miúda, tão contraída, e tão mínima gente, não posso ir adiante. Até da imaginação voaram os pigmeus; já os não vejo, nem por pensamento.»

O certo é que se daria esse nome a povos que de facto existem, mas cujos homens, ainda que pequenos, não são afinal tão mínimos como o mito os descrevia.
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«Histórias de Almanaque», Por Paulo Leitão Batista

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