1971-74 – Os dias da Tropa (25)

José Carlos Mendes - A Minha Aldeia - © Capeia Arraiana

O meu plano é trazer aqui um resumo dos 38 meses e 11 dias da minha tropa: desde 21 de Julho de 1971 (entrada no Curso de Oficiais Milicianos da Escola Prática de Infantaria de Mafra) até 2 de Outubro de 1974 (aterragem no aeroporto militar de Lisboa, vindos de Luanda). Trarei apenas episódios marcantes, nunca esquecidos, que dormem acordados nos recantos da minha memória.

Esta é uma coluna MVL na nossa zona em 1974 - Capeia Arraiana

Esta é uma coluna MVL na nossa zona em 1974 – Capeia Arraiana

Gostaria hoje de me dedicar a descrever a importância das sedes de Companhia no desenrolar de cada Operação e de cada dia de permanência por aquelas terras do Maiombe.

MVL e madeireiros

Umas vezes, as operações eram simplesmente acompanhar o MVL a coluna que transportava a alimentação para o Batalhão todo e que não podia ter qualquer problema pois dele dependia a sobrevivência concreta de mais de 400 homens: em matéria de frango, peixe, conservas, batatas, legumes, pão, etc. para o dia-a-dia. Mas não só: também em matéria de abastecimento de rações de combate, que eram a nossa alimentação em cenário de guerra.

Transporte de madeiras - Capeia Arraiana

Transporte de madeiras

Outra missão atribuída às Nossas Tropas era a de fazerem segurança ao transporte de madeiras pelos grandes camiões como os da imagem.

 Esta foi a Zona Operacional onde passámos  desde Setembro de 1972 até Setembro de 1974 - Capeia Arraiana

Esta foi a Zona Operacional onde estivemo desde Setembro de 1972 até Setembro de 1974

Zonas operacionais

As zonas mais complicadas eram as que confinavam com a República Democrática do Congo (Congo-Brazzaville, como nós dizíamos, para o distinguir do «outro» Congo, o que chamávamos «Congo-Kinshasa»).

Traduzindo, e para que o leitor interessado possa seguir as coisas nos dois mapas que hoje aqui trago:
– Eram zonas operacionais mais perigosas as que iam da estrada Cabinda – Dinge – Buco Zau – Belize – fronteira Norte. Portanto: para Norte e noroeste);
– Tinham menos perigo as que se encontravam entre a mesma estrada e a fronteira com o Congo-Kinshasa, portanto, para Sul e sueste.

Outro mapa, agora com a marcação concreta  das zonas de intervenção das Companhias do Batalhão - Capeia Arraiana

Outro mapa, agora com a marcação concreta das zonas de intervenção das Companhias do Batalhão

Os quartéis

Para lá da Sede do Batalhão (Bata Sano), havia depois as sedes das três Companhias Operacionais:
Pangamongo;
Chimbete/Sangamongo;
Tchivovo.

Era regra que as Companhias rodassem, pois o grau de perigo era muito diferente de um quartel e zona adjacente para os outros.
Mais perigosa era a zona do Chimbete/Sangamongo.

Era todos os dias a enfardar.

Era sempre com o coração nas mãos.

Era sempre a pensar que era ali, hoje, agora…

Menos mas ainda perigoso em razão das deslocações obrigatórias, o Tchivovo.

De todas, a mais pacífica, considerada «zona de descanso» da guerra, era sem dúvida a do Pangamongo.

(Continua.)

:: ::
«1971-74 – Os Dias da Tropa», por José Carlos Mendes

Deixar uma resposta