O Comércio Justo

Maria Rosa Afonso - Orelha - Capeia Arraiana

O Comércio Justo é um movimento internacional, de natureza social, apoiado por muitas Organizações Não-governamentais que trabalham na área do desenvolvimento. Tem na sua origem o compromisso com os pobres que vivem em países subdesenvolvidos, ajudando-os a produzir e a vender a preços justos.

Comércio Justo a nível mundial - Capeia Arraiana

Comércio Justo a nível mundial

O mais importante do Comércio Justo é a sustentabilidade e a confiança gerada, junto dos agricultores e dos artesãos, concedendo-lhes apoios e dando-lhes ferramentas para que se tornem autossuficientes e donos das suas decisões. As organizações envolvidas começam por financiar a produção, dar formação e ajudar na gestão, para que se produza com a melhor qualidade possível e se rentabilizem os recursos, no respeito pelo ambiente e os modos de vida locais. Organizam-se em cooperativas, democraticamente geridas, a que todos os produtores de um determinado local, rural ou urbano, podem pertencer.

Os produtos, sejam agrícolas – café, chá, cacau, mel, açúcar, bananas, sumo de laranja, compotas, vinho… – ou artesanais, têm um rótulo de certificação e são vendidos nas Lojas do Comércio Justo, com a mínima intermediação possível, total transparência e um preço justo.

Promover o Comércio Justo, é tirar da miséria muitos pequenos produtores, mas é também mostrar que há alternativas ao comércio convencional, das grandes empresas transnacionais. Por isso, é um movimento que tem um posicionamento político claro, contra a exploração dos pobres e dos pequenos produtores, pelas grandes cadeias de produção e de venda de produtos produzidos nessas regiões.

Ainda assim, não está isento de críticas, existindo, mesmo, distintas perspetivas, conforme as ONG’S envolvidas. Às vezes, é acusado de paternalismo: «Lá estão os do Norte a ajudar os do Sul, dizendo-lhes o que e como devem fazer»; outras vezes, é acusado de instrumentalização: «Lá está esta e aquela multinacional, a adotar alguns procedimentos do Comércio Justo, num ou noutro produto, reivindicando uma consciência social que está longe de ter.»

Seja como for, e apesar de se tratar de uma pequena escala, este movimento tem mostrado que se pode viver de outro modo. Contudo, é uma gota de água, num comércio global, cada vez mais desregulado.

:: ::
«Rostos e Contextos», crónica de Maria Rosa Afonso

Deixar uma resposta