Vilar Formoso – porta de entrada para o mundo

Joaquim Gouveia - Capeia Arraiana (orelha)

:: :: CASTELEIRO :: :: De arquitetura imponente a juntar à invejável coleção de azulejos que ornamentam o edifício, a par da riqueza de emoções de que foi vigilante ao longo de muitos anos, tornam a Estação dos Caminhos de Ferro de Vilar Formoso um ícone inquestionável na História da Emigração de Portugal.

Estação dos Caminhos de Ferro de Vilar Formoso - Capeia Arraiana

Estação dos Caminhos de Ferro de Vilar Formoso

Mas não foi esta a porta de entrada no mundo desconhecido onde a esperança era a última coisa a morrer. Aqui concentravam-se as forças policiais do regime que oprimia quem ousasse desobedecer às suas ordens e quem aspirasse procurar a felicidade noutro país.

O êxodo brutal dos Portugueses, que no início dos anos sessenta, representou a maior vaga de emigração na Europa do pós guerra. Ocorreu envolto em mil sacrifícios, dias e noites a caminhar por serras e vales onde o escuro da noite se transformava num misto de segurança, por dificultar a presença humana mas também onde os perigos dos trilhos percorridos muitas vezes lhes fugiam dos pés, e quantos ficaram por lá… uns por esgotamento físico, outros por caírem em verdadeiras emboscadas naturais ou não… sempre entregues à «sorte» e vigilância que um dia o passador lhes prometera, em troca de quantias de dinheiro que muitas vezes não tinham e eram forçados a pedi-lo emprestado a pessoas da sua mais alta confiança.

E foi nestas condições nefastas, que ao longo destas viagens sem fim, em que a morte convivia com a vida, e a sorte era a luz ao fundo do túnel que todos ambicionavam. Mesmo consideradas estas viagens de alto risco, entre 1963 e 1973 mais de um milhão de Portugueses emigraram para França e Alemanha.

As más condições de vida caracterizada por elevados níveis de pobreza e miséria, com uma elevadíssima taxa de analfabetismo do povo, o regime político opressivo que se vivia em Portugal e a guerra nas antigas colónias levaram à fuga de muitos jovens antes ou durante o cumprimento do serviço militar. Este êxodo tornou Portugal ainda mais pobre, menos produtivo e mais fechado ao mundo.

Em contrapartida, graças à sua tenacidade e capacidade de trabalho e liderança respondeu eficazmente à falta de mão de obra numa Europa do pós Guerra que aspirava crescer, desenvolver-se e criar riqueza, enquanto os portugueses foram reconhecidos, o preço de seu trabalho mais justo e, paralelamente, as suas condições de vida melhoraram.

A seguir à epopeia dos Descobrimentos, a Emigração foi, sem dúvida, o maior feito do povo Português demonstrado pela sua presença pelo mundo fora.

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«Viver Casteleiro», opinião de Joaquim Luís Gouveia

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