Há ou não um racismo latente?

Maria Rosa Afonso - Orelha - Capeia Arraiana

Os incidentes com a polícia, no bairro da Jamaica, no Seixal, e as suas repercussões – manifestações, atos de vandalismo, em bairros da grande Lisboa, onde vivem comunidades negras, declarações políticas díspares… – mostram a existência de uma tensão social que é real.

Racismo - Mas afinal só muda a cor da pele... - Capeia Arraiana

Racismo – Mas afinal só muda a cor da pele…

O que primeiro salta à vista é a exclusão social. Na verdade, quando olhamos aquelas casas inacabadas, onde vivem, há mais de 30 anos, comunidades negras e outras minorias migrantes, em condições tão miseráveis, custa a acreditar no que vemos. Uma exclusão que continua na escola, no trabalho…, e vai por aí fora, marcando vidas.

Também, a questão do racismo emerge. Para alguns: «Se não fossem negros, a polícia não tinha batido, daquela maneira.» Não julgo que isto seja verdade. Devem ter existido razões, para aquele comportamento policial, embora, não seja aceitável; num Estado de direito, têm de existir outras maneiras de resolver os problemas. Já, em relação a insultos racistas, é possível que tenham existido, porque há, na sociedade portuguesa, uma tensão em relação aos negros que vem de longe e que comporta resquícios racistas.

Se assim não fosse, porque é que tantos negros se consideram vítimas, particularmente, das autoridades que acusam de discriminação e de abuso de poder, em episódios recorrentes; mas, também, das instituições que acusam de dificuldades e de burocracias exageradas; e ainda de cidadãos comuns que acusam de atitudes racistas.

Apesar disto, a perceção que temos é a de que a maioria dos portugueses não tem quaisquer sentimentos racistas; facto que não invalida que exista uma minoria que os tem e os expresse: uns de forma contundente, como é o caso de indivíduos da extrema-direita que cultivam o ódio às minorias; outros de forma velada, como é o caso de pessoas que arranjam qualquer desculpa para não alugar uma casa a uma família negra, por exemplo.

Portanto, não se pode dizer que o problema do racismo não existe ou que é residual. Há contextos onde existe e toma proporções. Reconhecer o problema e debatê-lo de forma ampla, seria um razoável ponto de partida.

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«Rostos e Contextos», crónica de Maria Rosa Afonso

2 Responses to Há ou não um racismo latente?

  1. António Emídio diz:

    Maria Rosa Afonso :

    O Racismo é uma questão de classe, se por acaso chegar um árabe, ou um negro pobres, a uma cidade rica Ocidental, estão sujeitos a receberem manifestações de racismo, mas se por acaso tanto um como o outro chegarem de Boing privado, com o seu harém e os seus Ferraris e Bentleys, toda a gente para para os ver e até os invejam…

    António Emídio

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