Passam os anos fica a saudade… (20)

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - © Capeia Arraiana (orelha)

A minha entrada no Colégio do Sabugal dá-se em 1963 e ali permaneci até ao Verão de 1969, altura em que parto para a Guarda para fazer o 6.º e o 7.º ano.

Colégio do Sabugal - Capeia Arraiana

Colégio do Sabugal (Foto: D.R.)

Curiosamente, e apesar de ser considerado um bom aluno, lembro-me muito mais do que se passava nos intervalos que dentro da sala de aula.

Se ainda me lembro, havia dois espaços de recreio distintos, aliás, três.

Para as raparigas – é verdade «brincávamos» separados!, – havia um pátio inferior, do lado da casa do Alexandrino. Era um espaço pequeno, talvez porque na altura havia menos raparigas que rapazes a estudar, mas era ali que se reuniam durante os recreios.

Nós os rapazes também tínhamos um pequeno pátio inferior, no lado contrário ao das raparigas, mas ficava à nossa disposição o terreiro em terra batida com uma configuração de garrafão, isto é, muito mais estreito de um lado que do outro.

Era para ali que corríamos e era o nosso campo de batalha e de jogos, uns mais viris que outros.

Nunca dez minutos de vida me souberam tão bem como os desses intervalos!…

E que jogatinas de futebol, ou de volei fazíamos, com equipas organizadas «adoc», sempre tentando ficar do lado dos melhores…

(Permito-me contar uma pequena história que talvez sirva para os ansiosos pais de hoje. Num dos jogos de volei, e tendo perdido a jogada, digo em voz alta «não tive a culpa». E logo o Zé Ferreira diz «pareces o Calimero!» Foi este, entre outros a alcunha que tive e que ainda hoje alguns lembram. Nunca me fui queixar a ninguém, nem professores, nem pais e nunca me considerei diminuído ou perseguido por tal…)

Uma vez por semana era dia de Mocidade Portuguesa para os rapazes, pretensamente para nos transmitir a ideologia do Estado Novo, mas nunca levada muito a sério quer por nós, quer pelos «graduados»…

Aliás, e se não estou em erro, verdadeiramente isto só era obrigatório no 1.º e 2.º ano e havia muitas formas de faltar.

Como já o disse noutra altura, mais tarde, preferia ir para o muro junto à entrada principal e ocupar os tempos livres na companhia das amigas e amigos que tinha.

Outra idade, novos interesses…

ps. Por vergonha ou decoro prefiro não falar muito do que se passa na Venezuela. Será que ainda ninguém percebeu que se pode estar a preparar um banho de sangue? Será que a esquerda democrática prefere alinhar com as posições mais extremistas trumpistas, que ter um pensamento próprio e democrático? Não estou a defender Maduro. Estou a dizer que não alinho com golpes de estado, venham de onde vierem. E já pensaram o que acontecerá às centenas de milhares de portugueses e lusodescendentes se a Venezuela entra num clima de guerra civil?

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«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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