A Paz

António Alves Fernandes - Aldeia de Joane - © Capeia Arraiana

«A Paz é a Família a conversar»; José Maria Fernandes in «Pater Familias» de Ezequiel Alves Fernandes (Pág. 174).

Papa Francisco apelou à Paz

No primeiro dia de cada ano civil há duas solenidades, duas efemérides, a exigir de todos nós, principalmente daqueles que são cristãos, uma profunda reflexão. Nesse dia assinala-se o Dia Mundial da Paz e a Festa de Santa Maria, Mãe de Deus, da Igreja, Mãe da Paz.
O tema deste ano foi: «A boa política ao serviço da paz». Talvez a maioria não prestasse a mais pequena atenção à mensagem do Papa Francisco, num país onde se escreve muito e se lê pouco. Outros estavam envolvidos nos festejos do fim do ano com os olhares para os fogos de artifício ou gargantas a saborear champanhe, ou nas ressacas de noites mal dormidas.
Numa paróquia operária e das periferias da cidade de Setúbal assisti à Eucaristia do Dia Mundial da Paz, entre várias etnias.
O celebrante sem papas na língua debateu a mensagem do Papa Francisco e não nos deixou adormecer ou ficar indiferentes.
Dizia ele que durante a semana interpelou um paroquiano se ouvia e apreciava as suas homilias, tendo como resposta que só gostou da última, porque não falava de política. Mas saiba o senhor «que todas as suas minhas homilias são políticas». Falar de política são ecos da nossa cidadania.
Um dos grandes males da nossa sociedade é não usarmos convenientemente esse instrumento, usar esse direito. Temos de falar de política e não de politiquices, separando o trigo do joio. A boa política é um instrumento que está ao serviço da Paz. Também as famílias, as comunidades principalmente cristãs, deviam estar sempre ao serviço da Paz.
O Papa Francisco na sua mensagem recorda uma testemunha fiel do Evangelho, o Cardeal Vietnamita Francisco Xavier Nguyen Van Thuan, falecido em 2002, que escreveu a «bem-aventurança do político»:
Bem-aventurado o político que tem uma noção e uma profunda consciência do seu papel.
Bem-aventurado o político de cuja pessoa irradia credibilidade.
Bem-aventurado o político que trabalha para o bem comum e não para os seus próprios interesses.
Bem-aventurado o político que permanece fielmente coerente.
Bem-aventurado o político que realiza a unidade.
Bem-aventurado o político que está comprometido na realização duma mudança radical.
Bem-aventurado o político que sabe escutar.

A política é fundamental para construir a cidadania e assim vivermos em harmonia uns com os outros.
A política deve guiar-se pelo respeito à vida, à liberdade, à dignidade da pessoa humana em todos os locais regionais, nacionais ou internacionais.
Todos nós devemos assumir o compromisso de sermos instrumentos de Paz. A Paz nasce no coração de cada Homem.
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«Aldeia de Joanes», crónica de António Alves Fernandes

One Response to A Paz

  1. António José Alcada diz:

    Bonito texto meu irmão. Parabéns

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