O padre e o regedor da freguesia

Há muitos anos, numa aldeia do interior de Portugal, certo eclesiástico pregava no púlpito, quando dirigiu um singular apelo aos paroquianos. Na mesma aldeia, o regedor escreveu um ofício muito curioso ao administrador concelhio.

Episódios passados numa aldeia antiga

O pregador divertido
Era 24 de Agosto, dia de São Bartolomeu, e o sermão da missa festiva não podia ter outro tema que não fosse a virtude daquele santo taumaturgo, protector da vida rural, cujo andor esta engalanado por flores garridas. Depois de tomar a palavra e evocar a alta figura de São Bartolomeu, padre Ezequiel, que tinha por alcunha O Borralho, lembrou-se que tinha um recado a dar ao povo. Temendo olvidar-se de prestar a informação no final da homilia, fez ponto e disse:
Já me ia esquecendo de vos advertir de uma coisa, irmãos fregueses: domingo que vem é a nossa feira nova. Não deixemos arrefecer os ânimos em concorrer a ela. Espero que todos lá apareçam com os seus bois, vacas, ovelhas, burros e todo e qualquer animal que sirva para fazer feira. Advirto desde já que a Firmina, a minha criada, também lá há-de ir com os nossos bácoros. É preciso não faltar.
E, depois do insólito aviso, o padre Ezequiel continuou com o seu sermão, conforme Deus foi servido.

Ofício curioso
Na mesma freguesia, coube ao regedor enviar à sede concelhia um mancebo, a fim de ser inspecionado para o serviço militar. Com o devido denodo, encarregou o rapaz de levar ao administrador do concelho um ofício por si redigido, o qual rezava assim:
«Excelentíssimo Administrador do Concelho:
António Augusto Domingos, regedor, atesta por sua honra que o mancebo João Oliveira Gonçalves, nascido e morador nesta freguesia, é filho de Manuel Oliveira Gonçalves e de Inácia Maria, e tem a altura do pau que leva na mão até à mossa que lhe fiz com a navalha. Mais atesto que não o medi pelo metro, por não o ter à mão
».
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Por Paulo Leitão Batista

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