Segurança rodoviária

Maria Rosa Afonso - Orelha - Capeia Arraiana

A sinistralidade rodoviária é um problema de cidadania, em todos os países. Em Portugal, há dois anos consecutivos que se agravam as estatísticas. Referir que segundo a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, entre de 1 de janeiro a 21 de dezembro de 2018, morreram 494 pessoas e ficaram gravemente feridas 2046. Vê-se bem que não se pode deixar andar.

Segurança Rodovária deve ser aprendida desde a infância - Capeia Arraiana

Segurança Rodovária deve ser aprendida desde a infância (Foto: D.R.)

Olhar friamente os números é, já, algo que impressiona. Mas, quando pensamos, no drama humano, vivido por cada uma das famílias que perde alguém na estrada ou por cada um dos muitos feridos que nunca recupera totalmente ou fica com sequelas tão graves que o impossibilitam de poder ter uma vida autónoma, percebe-se por que razão este problema acarreta tanto sofrimento.

Reconhecido, pela Organização Mundial de Saúde, como um grave problema de saúde pública, tem implicações a muitos outros níveis (formação, trabalho, segurança social, justiça…), com pesadas consequências a nível pessoal, familiar, social e económico.

Para esta sinistralidade, são apontadas causas relacionadas com o estado dos veículos e das vias rodoviárias e, sobretudo, como referem os entendidos, e na verdade parece claro ao comum dos cidadãos, com as atitudes dos condutores. Comportamentos que continuam sem grande alteração, apesar das reiteradas campanhas, realizadas pelas autoridades competentes, alertando para o perigo da condução sob o efeito de álcool ou de estupefacientes, o uso do telemóvel, as manobras perigosas e o não cumprimento de muitas outras regras necessárias a uma condução segura.

Situando-se a principal causa ao nível dos comportamentos, para melhorar as estatísticas, é preciso uma maior consciencialização do problema. Desde a infância, se deve desenvolver a noção de que a segurança rodoviária é uma responsabilidade de todos e de cada um, aprendendo e tendo, na prática diária, gestos de segurança, apoiados pela família e pela escola. Mas não chega a consciência dos indivíduos, quando essa segurança depende de muitos outros fatores (educação rodoviária, legislação, ensino da condução, prevenção e fiscalização, ordenamento do trânsito, dos transportes, construção e manutenção de estradas, indústria automóvel…) que só conjugados podem fazer a diferença.

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«Rostos e Contextos», crónica de Maria Rosa Afonso

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