Casteleiro – O sino da minha aldeia

José Carlos Mendes - A Minha Aldeia - © Capeia Arraiana

Fernando Pessoa escreveu este poema que hoje lhe trago e que sempre me pareceu ter sido escrito mesmo no Casteleiro! Deu-lhe um título mesmo nosso, do Casteleiro: «Ó sino da minha aldeia»… Mas, atenção: este sino da foto já era… Leia tudo e saberá do que falo… OK?

O Sino da Minha Aldeia - Foto: António Marques, 1980  - Capeia Arraiana

O Sino da Minha Aldeia (Foto: António Marques, 1980)

Este era o sino da aldeia

Quando era menino e moço, o som deste sino estava tão gravado na memória que, se o relógio da torre falhava e o sino não batia as horas certas, estava tudo estragado.

Hoje apetece-me recordar o sino e o som dele, trago-lhe aqui o poema de Fernando Pessoa com este título sempre nostálgico: «Ó sino da minha aldeia».

Leia cada linha desta relíquia, por favor:

Ó sino da minha aldeia,
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro da minha alma.

E é tão lento o teu soar,
Tão como triste da vida,
Que já a primeira pancada
Tem o som de repetida.

Por mais que me tanjas perto
Quando passo, sempre errante,
És para mim como um sonho.
Soas-me na alma distante.

A cada pancada tua
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto.

Fernando Pessoa

O sino do Casteleiro

Sobre o sino que vemos naquela foto, e sob o título acima, o «Viver Casteleiro» incluiu no ano passado este pequeno mas importante texto:

«Este é o sino original do Casteleiro que desde 1950 até meados dos anos oitenta marcou o tempo na Aldeia. Depois de muito tocar e com muitas fissuras, foi substituído por dois, mais pequenos, que hoje lá se encontram. E teve um fim dramático já que acabou num voo de 23 metros, lá do alto até ao chão, frente à porta de entrada da Torre.»

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«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

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