Passam os anos fica a saudade… (19)

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - © Capeia Arraiana (orelha)

A minha entrada no Colégio dá-se em 1963 e ali permaneci até ao Verão de 1969, altura em que parto para a Guarda para fazer o 6.º e o 7.º ano. Comecei na semana passada a falar dos professores que tive no Colégio e dos quais me lembro, deixando para os dois professores que mais importância, por razões diferentes, tiveram no meu crescimento enquanto ser humano.

José Diamantino dos Santos - Capeia Arraiana

José Diamantino dos Santos

Falo, em primeiro lugar, do Padre Júlio que foi meu professor de Português, de Geografia e, sobretudo, de Religião e Moral.

O Padre Júlio aparece no Sabugal na década de 60, trazendo uma lufada de ar fresco à igreja local e ao Colégio.

Homem de elevada cultura, a sua visão sobre o mundo e sobre o papel dos católicos torna-o de imediato muito atraente para um jovem como eu.

O livro de que era autor e que nos guiava e a forma como dava as aulas de Religião e Moral, tornava estas num verdadeiro prazer e em momentos de reflexão coletiva que ainda hoje recordo.

Para além disso, o Padre Júlio torna-se um grande amigo meu, lembrando ainda hoje as viagens épicas no seu «carocha», como aquela em que fomos todos parar ao lameiro à entrada de Rendo.

Mas foi também o cúmplice silencioso que me levava todos os domingos à missa à Colónia de Martim Rei…

O outro professor que queria destacar foi naturalmente o dr. Diamantino. Sendo públicas as minhas divergências futuras, devo-lhe duas coisas que não esquecerei nunca.

Em primeiro lugar, o facto de me ter permitido, e a mais umas largas centenas de jovens sabugalenses, estudar, pois não tenho dúvidas que se não houvesse o Colégio, muitos dos nossos pais não nos teriam mandado estudar.

Mas não esqueço também que, sendo eu já um leitor compulsivo, e sendo bom aluno, o dr. Diamantino deu indicações às vigilantes da Sala de Estudo, para me darem liberdade para aproveitar essa hora e meia para ler!

E, desta forma, ia devorando os livros que recolhia da Biblioteca Itinerante da Gulbenkian, com o aconselhamento desse grande e culto homem que era o sr. Prata.

A companhia do Padre Júlio e as leituras compulsivas foram a base que possibilitou todo o desenvolvimento que um adolescente como eu necessitava para a ida para a Guarda e, mais tarde, para Lisboa.

:: ::
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

Deixar uma resposta