Passam os anos fica a saudade… (18)

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - © Capeia Arraiana (orelha)

A minha entrada no Colégio dá-se em 1963 e ali permaneci até ao Verão de 1969, altura em que parto para a Guarda para fazer o 6.º e o 7.º ano. São seis anos da minha vida que me levam da infância até à adolescência e de que guardo boas memórias que aqui tentarei recordar.

Construção da Escola Primária do Sabugal - Capeia Arraiana

Construção da Escola Primária do Sabugal

Mas hoje começo pelos professores, esperando que de entre aqueles que ainda estão vivos, nenhum se ofenda… Na verdade as historietas que conto são também uma forma de os recordar com a ternura que a memória me deixou deles.

Comecei como aluno de uma coisa que nunca soube para que serviu, para além de atrasar a minha progressão nos estudos. Falo do ano de preparação para o exame de admissão ao liceu, onde tive dois professores: o sr. Oliveira, Chefe das Estradas, que, com a esposa, eram grandes amigos dos meus pais, não sendo de admirar que eu e a minha irmã nos tornássemos grandes amigos dos seus filhos, Isabel e Vítor, com quem partilhámos muitos momentos inesquecíveis; o outro professor era o prof. Messias que já tinha sido meu professor na escola primária, e de que eram célebres as utilizações frequentes da régua e do ponteiro…

Passado ingloriamente este ano, e feito o tal exame que, naturalmente, fiz com êxito, pois já estava um ano atrasado, vou para o 1.º ano (atual 5.º).

De entre os professores que encontro e, quase todos, me acompanham até ao fim, lembro o Padre Machado, a Francês, quase sempre acompanhado pela sua amiga de coração, a Dona Palmirinha, que utilizava a torto e a direito sempre que falhávamos um verbo… Apesar disso, muito do francês que aprendi a ele o devo.

O Padre Soita, que conhecíamos também pelo Padre Barradas, era outro dos professores, que nos contava as «estórias» da História, sendo célebres os seus atentados ao inglês (Vazington) e ao francês (Fontainebleau), mas que sempre me tratou como amigo, até pela minha condição de católico praticante que mantive até aos 23 anos. O padre Soita casara os meus pais, batizara-me a mim e à minha irmã, foi à Guarda casar-me e batizou mais tarde o meu filho. De vez em quando, acompanhava-o a Belmonte nas suas visitas à família.

Na Matemática comecei com o dr. Moreira, homem grande e bom, coração nas mãos, dado a grandes ataques de fúria quer no Colégio, quer no campo de futebol, sobretudo quando o Sporting defrontava a Guarda… Não esqueço a sua fúria com o Martins, filho do sr. Martins fotógrafo, que, por um defeito de visão, não olhava a direito… O Martins era e é um grande amigo meu, que venho a reencontrar como funcionário dos CTT na Póvoa de Santa Iria, reatando, naturalmente, a nossa amizade.

O dr. Moreira é depois substituído por um outro professor de que não lembro o nome, mas que tratávamos nas suas costas por «Sopapo» ou «Sopapinho», tantas as vezes que nos ameaçava e nos dava sopapos… Ficou célebre a saída em bloco da turma num dia em que chegou um pouco atrasado o que nos levou ao contacto físico com a Dona Palmirinha do Padre Machado…

Igualmente recordo a nossa professora de Inglês, a D. Dina, que casou com o professor de matemática. A sua chegada foi alvo de algumas graçolas, pois o pai do Quim Carreto tinha uma cadela exatamente com o nome da professora… Também, o que não é de admirar em adolescentes a sair da puberdade face a uma mulher nova, tudo fazíamos para tentar ver um pouco das suas pernas quando se sentava na sala de aula…

Falta-me falar dos dois professores que maior importância tiveram para mim, de que falarei na próxima semana.

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«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

One Response to Passam os anos fica a saudade… (18)

  1. António Antão diz:

    O “Sopapo” era o Dr Salgueira. Bom professor. Ensinava passeando entre as carteiras dos alunos.

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