Um saudoso amigo: Joaquim Silva Nogueira

António Alves Fernandes - Aldeia de Joane - © Capeia Arraiana

Já passou um ano, mas ainda estás presente no nosso quotidiano. Recordo a tua serenidade que até me fazia esquecer a doença que te atormentava. Aliás, nem tu próprio a ela te referias ou te lamentavas.

A saudade quando é vivida torna-nos presentes

Foram inesquecíveis as tardes de Sábado e Domingo que passámos juntos assistindo no seio do teu lar aos jogos do Clube do meu coração – o Vitória de Setúbal. Quando marcava um golo tu suportavas com passividade e um sorriso nos lábios as minhas euforias futebolísticas.

Não podia deixar de admirar a tua postura interior e tranquila quando o teu Benfica marcava: eras sereno na vitória e sem ressentimento nem amargura na derrota.

Verdade seja dita que nos jogos internacionais estávamos do mesmo lado. Acredito plenamente, que se o sonho se transformasse em realidade e o Vitória de Setúbal disputasse uma final da Taça dos Campeões Europeus, tu estarias com o cachecol vitoriano ao teu pescoço.

Tiveste a sorte de ter uma mulher ao teu lado, companheira sempre atenta, apoiando-te nos momentos mais difíceis. Ainda hoje acredito que estás sempre ao pé dela. Além de manter o luto, expressando a dor que sente na sua alma, ainda te visita frequentemente na campa onde repousas. O amor é uma chama que não se apaga no coração da tua amada mulher.

Desta união nasceram dois filhos que continuam a aumentar a riqueza da família que construíste. Os teus filhos procuram a felicidade dos pais, mantendo a harmonia, união e fraternidade, mesmos nos momentos mais difíceis.

Não posso esquecer que os teus dois filhos herdaram de ti o sentido de responsabilidade e de dedicação ao trabalho.

E a família foi continuando e crescendo e assim chegaram as tuas três lindas netas, que te tinham grande amor e carinho. Gosto tanto dessa reciprocidade afectiva entre o avô e as suas netas. E há pouco tempo nasceu mais uma neta…

Acredito que estas tuas netas seguirão os teus princípios e saberão dar-te continuidade.

Nunca esquecerei que a tua mesa estava sempre posta na esperança de uma visita inesperada, que seria sempre acolhida, mantendo a velha tradição beirã… Muitas vezes eu e a tua prima Manuela nos sentimos honrados em partilhar as refeições convosco.

A saudade quando é vivida torna-nos presentes. Contigo acontece isso, nosso querido primo, Joaquim José da Silva Nogueira, natural de Aldeia de Joanes.

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«Aldeia de Joanes», crónica de António Alves Fernandes

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