A personalidade do ano!

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Normalmente a comunicação social, as adversas associações culturais apreciam nomear as personalidades do ano. Eu entendi nomear, à semelhança, destes organismos políticos, culturais ou associativos, a minha personalidade do ano. Obviamente que alguns irão questionar o porquê, que obviamente será justificado, mas nestas escolhas é normal e aceitável que alguma injustiça possa, e deva, ser reclamada tendo em conta que ainda vivemos num estado de direito. Mas que me perdoem os ofendidos porque na realidade muita, mas muita gente, devo hoje a atenção de ser escritor porque apreciam as minhas palavras. Mas acreditem que esses nunca serão esquecidos!

Personalidade do Ano - Capeia Arraiana

Personalidade do Ano – João Cabeçadas

Nestas crónicas semanais normalmente envio para um grupo de amigos e familiares, mas há sempre um que me responde, nem que seja para gozar e apimentar em jeito de comentário a crónica semanal. Nunca falhou. Nada que eu não escreva vem sempre a «piadinha» ou até o mérito da prosa.

Para um escritor não há melhor satisfação do que sentir a reação do leitor, nem que seja para o «bota» abaixo, porque conseguiu que o seu texto fosse lido. E as críticas ajudam a reflexão do autor na melhoria da qualidade das palavras.

Porém, até nem é o caso, mas o João Cabeçadas, não perde nenhuma das minhas crónicas. E o João Cabeçadas é a pessoa que conheço mais viajada por este mundo fora. Seja no Vietname, Austrália, China, México, Pais de Gales, Alemanha, Emirados Árabes ou até na Suíça, as palavras do João chegam sempre a tempo mesmo vencendo as barreiras dos fusos horários e da censura de alguns servidores da internet.

Aliás o João, quando publiquei o meu primeiro livro, fez questão de me enviar fotos com o livro na mão nos sítios mais incríveis, como nas profundezas do mar de Omã, no cimo do mastro do seu barco à vela, a andar de ski na Suíça ou até junto a monumentos famosos, em países longínquos e culturalmente bem diferentes dos europeus.

O livro nas profundezas do mar - Capeia Arraiana

O livro nas profundezas do mar

Nas apresentações de livros que lanço, o João está sempre presente, nem que seja através de uma mensagem vídeo onde não deixa de brincar com as cenas mais caricatas da obra.

Por isso acho que, neste ano de 2018, o João foi a minha personalidade do ano, nunca se tendo cansado de ler alguns dos disparates deste seu amigo. Acredito que esta «homenagem» já tem pouco espaço na parede onde estão os trofeus, diplomas, fotos e até medalhas, de uma carreira que tem tido cheio de vitórias e sucessos. Mas conhecendo-nos há tantos anos isso é o que menos importa. O facto é que a palavra escrita, espero, possa ficar para memoria futura e testemunhe esta minha mensagem de gratidão.

Com tantos parágrafos de «lamechice» não posso deixar de recordar um dos bons momentos que passamos juntos talvez no ano de 1977 ou 1978. Sendo um homem que sempre viveu no mar, finalmente um dia conseguiu um veleiro a «sério». Convidou-me para um passeio à noite na Baía do Sado. Lembra-me que o seu pai Henrique e o seu irmão José também iam. O pai Henrique era um homem simples e ainda se entusiasmava mais com o mar que os filhos.

Não sei porquê, mas o motor do barco (ou navio) não funcionava. E fomos na noite ao sabor do vento oeste navegando e bolinando nas aguas calmas do Rio Azul aconchegados pela lua nova que estrelava o céu. Sem o ruido do motor parecia uma viagem no paraíso. Ouvia-se o bater da vela com a força do vento, mas o mais espetacular era o plâncton que brilhava com a passagem da embarcação. Eu ia sentado na popa e a luz que brotava do fundo do mar encadeava-me as ideias de criança onde o fantástico fazia sossegar qualquer miúdo.

A curiosidade matava-me a ansiedade de saber e perguntei ao Pai Henrique, que fenómeno seria aquele: luz no fundo do mar? A explicação não tardou. O velho timoneiro, sendo um engenheiro de profissão, teceu-me uma das primeiras explicações que tive na vida sobre um ecossistema. A luz era o fosforo um dos principais constituintes do plâncton que alimentava inúmeras espécies de peixes e outros seres vivos que vivem no estuário. E a passagem da embarcação provocava uma «excitação» do fosforo fazendo, tal como no pirilampo, a emissão de uma radiação luminosa.

Obviamente que em tantos anos de amizade e convívio muitas coisas boas, e más, se passaram connosco. Mas o importante é que, mesmo fazendo parte do mesmo grupo de amigos, o João é o meu leitor número 1, mesmo já me tendo confessado que não grande apreciador de leituras.

Está bem João, o próximo livro será de Banda Desenhada! Tens de poupar a vista!

Um abraço deste teu amigo e continua: a navegar e a ler estas cronicas de «algibeira».

Baia do Sado (Setúbal), 24 de dezembro de 2018

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«No trilho das minhas memórias», crónica de António José Alçada

2 Responses to A personalidade do ano!

  1. Carlos A.D Carriço diz:

    Segura Fernandes – com origens no OZENDO SABUGAL- é “seguramente” uma das personagens do ano do distrito e da região centro.

    VER:
    http://www.altitude.fm/index.php/actualidade/2748-um-longo-aplauso-para-segura-fernandes-no-regresso-das-atletas-do-guarda-2000

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