Primeira crónica

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

A minha primeira crónica deste ano não será apenas dedicada a quem se divertiu, a valer, nos réveillons. Decidi dedicá-la, especialmente, aos que entraram no novo ano sem nada terem para além do tempo e aos que continuam a viver de enfraquecidas esperanças. Só depois a dedicarei aos foliões que iniciaram 2019 esforçando-se por deixar no ano velho todas as malquerenças.

Que 2019 consiga ser diferente para melhor

Dedico-a, em seguida, aos que se arrependeram de cultivar noticias falsas desde que eles se proponham não recair e que aceitem uma vida nova no ano novo. Ofereço-a também a esses porque todos temos bom e mau e todos temos direito à regeneração.
Mesmo nas consciências mais frias e no mais pragmático dos mundos, num mundo em que é possível prender um homem com fome por tentar roubar uma peça de fruta, pode, porventura, sobrar alguma solidariedade. Também aí, pela réstia de humanidade, entrego a minha primeira crónica.
Dedico-a ainda aos que desejarem entrar no novo ano suprimindo desavenças, priorizando entendimentos. As inimizades retomadas no inicio do ano não passam de aversões acumuladas, transportadas do ano velho e depois requentadas. Não são mais que ressentimentos que apenas vivem de si mesmos promovendo preconceitos e mantendo rancores tão deploráveis que mesmo quem os cultiva, quem dorme com eles na cama, reconhece-os como nefastos. A quem intente fugir deles também dedico a minha primeira crónica.
Dedico-a, enfim, aos detentores de diversos ódios desde que eles se mostrem dispostos a encerrá-los substituindo provocações por ternuras. É que, mesmo os especialistas em hostilidade podem ter pontos fracos, talvez mais visíveis e mais débeis em datas sentimentais. Quiçá eles tenham presenteado alguma criança na recente noite de Natal. Então, caso eles procurem o bom caminho, também serão merecedores desta crónica.
Concluo, assim, dedicando a minha primeira crónica a todos os que iniciem o novo ano de boa vontade fazendo votos para que 2019 consiga ser diferente para melhor.
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«Terras do Jarmelo», crónica de Fernando Capelo

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