Novo Ano

Maria Rosa Afonso - Orelha - Capeia Arraiana

Gostaria que 2019 fosse um ano em que o bem comum se tornasse um imperativo ético na mente dos que governam os países. Um ano em que todos ficassem obrigados a escolhas que não hipotecassem o futuro. Escolho falar de três temas que me parecem decisivos: a democracia, o terrorismo e as alterações climáticas.

Alterações climáticas estão a mudar o planeta - Capeia Arraiana

Alterações climáticas estão a mudar o planeta

Surgem novas ditaduras na Europa e no mundo; por muitos lados, populismos chegam ao poder e põem em causa valores democráticos que dávamos como adquiridos; a conflitualidade social ganhou uma inusitada dimensão, talvez com maior expressão em França, com o movimento dos «coletes amarelos», mas também noutros países, como Portugal, onde se sucedem greves em diferentes setores, com um descontentamento em crescendo.

O radicalismo religioso continua vivo e a matar, como se viu, há pouco, no Egito, na França, na Líbia e no Afeganistão. Não temos categorias para pensar este tipo de fundamentalismo, de tão irracional que é: a vida humana não é um valor absoluto; a humanidade não lhes interessa; o mundo onde vivem é uma realidade estranha; as leis internacionais são letra morta, só conta a lei do Profeta; matam, à espera do paraíso, aturdidos por uma crença de que muitos também são vítimas.

As alterações climáticas não são um falso alarme. Quando, há poucas semanas, quase 200 países se reuniram, na Polónia, na Cimeira do Clima das Nações Unidas, percebeu-se, mais uma vez, não só a gravidade da situação, mas também a dificuldade de se poder chegar a compromissos globais. Ora, não é preciso ter grandes conhecimentos científicos sobre o aquecimento global e outros problemas ambientais, para se ter a noção de que algo de muito sério está a acontecer – secas, inundações, furações, tornados, tempestades…; reservas de água potável a diminuir, animais e plantas em perigo de extinção…

Portanto, cada vez mais, a humanidade é posta à prova e, ainda assim, há pessoas e países que continuam a resistir à união de esforços para tornar o mundo mais democrático, mais seguro e mais sustentável. Um dia qualquer, é já tarde de mais.

Desejo a todos um bom ano de 2019.

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«Rostos e Contextos», crónica de Maria Rosa Afonso

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