Casteleiro – Uma aldeia, dois brasões

José Carlos Mendes - A Minha Aldeia - © Capeia Arraiana

Uma aldeia com dois solares brasonados… é qualquer coisa a não deixar passar em claro, certo? É mesmo desse tema que hoje me ocupo de novo. Gosto de chamar à colação este tipo de assuntos para recapitular a nossa História Local dos últimos 300 a 400 anos…

Brasão em Santo Amaro - Capeia Arraiana

Brasão em Santo Amaro

A minha aldeia ostenta dois brasões. Hoje dedicarei a crónica a um deles: o do Largo de São Francisco, o Terreiro.

O outro, o de Santo Amaro, fica para a semana que vem.

Brasão na Casa do Morgado de Santo Amaro

Um desses dois brasões, de que falarei então em pormenor na próxima semana, fica na Quinta de Santo Amaro, na Casa Senhorial que ali existe e que era na minha meninice ocupada por um adas figuras míticas de toda a nossa região: o Morgado, o Dr. de Santo Amaro – como o Povo da minha terra lhe chamou sempre.

Ver na imagem que este brasão tem aspecto de bem menos importante, tem menos impacto do que o outro (foto em baixo)

Vamos explicar hoje novamente aquele que fica mesmo no centro da aldeia.

Brasão no Largo de São Francisco - Capeia Arraiana

Brasão no Largo de São Francisco

O outro brasão da aldeia é este. Vamos estudar a sua composição e significados.

A casa que foi do Sr. Joãozinho Rosa tem no portão de entrada um brasão (ver imagem). Parece ser do séc. XVII, pelo que consegui pesquisar. Sobre a constituição deste brasão, li o seguinte:

Constituição do Brasão:
«Brasão constituído por um escudo Português, colocado na vertical. O brasão e formado por escudo esquartelado, tendo no primeiro quartel as armas dos Macedo (de azul cinco estrelas de ouro de seis raios), no segundo quartel estão as armas dos Correias (quartel fretado de doze peças), o terceiro quartel tem as armas dos Silveira (de prata, com três faixas de vermelho), no quarto quartel temos as armas dos Costa (seis costas de prata). O escudo e rodeado por um paquife amplamente decorado e tem como timbre em cima de um elmo um urso sendo este o timbre dos Silveira.
Descrição da sua localização:
O brasão esta colocado no arco de entrada da casa de João Lopes no Casteleiro este é um solar datado do séc. XVIII. O acesso ao edifício é feito através de uma escadaria lateral cujo corrimão forma volutas nas extremidades. As janelas do segundo piso da fachada principal tem arco abatido e estão emolduradas. O brasão está colocado sob um pórtico que esta ladeado por pilastras, ornamentado com volutas, é encimado por um frontão corvo sustentado por uma figura de uma criança sendo o conjunto coroado por o brasão» (in ‘Sabugal Tarrento’, blog).

Bisneta de um dos moradores escreve no «Capeia»

É ainda oportuno transcrever estes surpreendentes parágrafos informativos, vindos de alguém descendente de uma das famílias que ali residiram – e que um dia me escreveu assim: «Era a casa do Conde de Calheiros, era a casa do Professor José Pires Mendes. E depois vem o resto… (Sr. João Lopes Rosa). Sobre este solar, sei que foi propriedade do Conde de Calheiros, cujo filho foi assassinado numa noite de carnaval no Casteleiro por motivos políticos. A família desapareceu por completo deste local, dizem alguns que foram dizimados por tuberculose.
A este proprietário seguiu-se o professor José Pires Mendes, meu bisavô, nesta casa nasceu a minha avó, Inácia Maria Pires, e o meu tio avô José Augusto Pires Mendes, respetivamente nos anos de 1916 e 1918.

Por escritura de doação aos sobrinhos, antes do casamento com a minha bisavó Maria Salzedas e nascimento dos filhos, a casa passou para um sobrinho, não obstante a tentativa de anulação desta doação por parte de José Pires Mendes, visto terem surgido descendentes diretos.

Espero ter dado algum contributo para a consolidação da história desta casa».

Agradecemos todos.

:: ::
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

Deixar uma resposta