Somos criadores de sentido

Maria Rosa Afonso - Orelha - Capeia Arraiana

Em todas a manifestações da cultura humana, da mais popular à mais erudita, é a mesma capacidade de pensar e de sentir, a mesma capacidade de criar, inventar, mudar, resolver e fazer que sempre esteve, está e estará presente.

A evolução da raça humana - Capeia Arraiana

A evolução da raça humana

Essa presença está por todo o lado. Está nas marcas visíveis das antigas civilizações – maia, inca, egípcia, grega, romana… – cujo desenvolvimento atingido, ainda, hoje, nos interroga e impressiona, tal como está nas civilizações que se foram sucedendo e das quais podemos admirar as obras que permanecem, falando de vidas e de modos de ser, com uma verdade que transcende o tempo. Por isso, nos emocionamos ao entrar numa catedral, ao ver um quadro, ao ouvir uma partitura, ao ler um livro, ao recitar um poema, ao participar num ritual religioso ou numa tradição popular…; acontece, muitas vezes, que, sem sabermos explicar o porquê, algo nos toca por dentro até à emoção mais genuína.

Portanto, a criação de sentido está também nas marcas imateriais, das quais não há bibliotecas, nem bases de dados, mas que continuam preservadas, através de histórias, danças, ritos de passagem, costumes ligados às colheitas, às épocas do ano, aos medos, aos deuses…, onde o sagrado e o profano se misturam, numa simbiose que não revela o mistério, mas permite respostas de harmonia e de equilíbrio pessoal e social, cada vez que essas tradições ou esses rituais se vivem ou se recriam. A sua importância é indiscutível, passando, de geração em geração, sem que sejamos capazes, em muitos casos, de situar a origem.

Nestas manifestações, afirmam-se, certamente, identidades locais, de inegável valor, mas, nalguns casos, falam de tal modo de aspetos essenciais do humano que afirmam também uma identidade universal e por isso a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) as estuda, classifica e divulga, considerando-as parte do Património Imaterial da Humanidade.

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«Rostos e Contextos», crónica de Maria Rosa Afonso

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