António Joaquim Geada Pinto (1931-2018)

António Alves Fernandes - Aldeia de Joane - © Capeia Arraiana

António Joaquim Geada Pinto nasceu na freguesia da Orca (Fundão) em 28 de Outubro de 1931, filho de António Joaquim Geada e de Maria da Conceição Pinto. Enquanto o Pai se dedicava a consertos e à venda de relógios, a Mãe tomava a seu cuidado cinco filhos e ainda trabalhava na agricultura.

Óptica Geada Pinto no Fundão

Além de vocação para os relógios, o seu Pai tinha uma veia natural para a música, tocando piano e concertina, dirigindo a Banda da Música da Orca. Os seus atributos naturais para música alongaram-se levaram-no a construir um violino. Esta herança foi herdada pelos seus filhos.
Oriundo de uma família profundamente religiosa, naquele viveiro espiritual cresceram dois filhos sacerdotes e uma religiosa, ligados à Diocese da Guarda: o Padre Manuel Joaquim Geada Pinto, Director do Jornal “Amigo da Verdade” e antigo Director do Colégio do “Outeiro de São Miguel” na Guarda; o irmão Padre José Joaquim Geada Pinto Pároco, com grandes dotes musicais, a seu cargo as paróquias limítrofes da cidade egitanienses e Maestro do Coral da Sé da Guarda; a irmã Maria da Conceição, membro das Servas de Jesus, professora no Colégio da Ruvina (Sabugal).
António Joaquim Geada Pinto, feito o exame da 4ª Classe no Fundão, por influências do dinâmico Padre João de Oliveira Santos Barroso, a quem a Paróquia da Orca muito deve (pelas inúmeras obras que realizou, inclusive a visita do Santo Padre Cruz), matriculou-se no Colégio de Montariol em Braga. Durante três anos recebeu uma formação franciscana que nunca mais esqueceu e norteará a sua vida de cristão.
Regressou às origens e na companhia do Pai aprendeu a arte de consertar e vender relógios pelas aldeias circunvizinhas, principalmente no concelho de Penamacor e mais tarde no concelho do Fundão.
Frequentou vários cursos em Gondomar, especializando-se também na arte de ourivesaria. Com base nesses conhecimentos e numa atitude de libertação do seu progenitor, casou com Mª Rosa em Janeiro e fundou em 1955 a “Ourivesaria Geada Pinto”, na Rua Vaz Preto na vila de Penamacor. Graças ao seu profissionalismo, a clientela começou a aumentar e, em 1964, numa antiga arrecadação do Café Nacional no Fundão, modificada com grande beleza e estética, nasceu a Ourivesaria e habitação em plena Praça do Município, uma zona comercial por excelência.
Durante a semana andava num vaivém entre Penamacor e Fundão, até trespassar finalmente a loja de Penamacor em 1968 e assentar arraiais no Fundão, com a esposa e os 6 filhos.
Realce-se que os comerciantes se ajudavam mutuamente e que havia homens de palavra, de honra e dignidade.
O nosso Homem não ficou só pelos relógios e ourives. Em 1978 fez o Curso da S.O.E. (Sociedade de Optometria da Europa) e começou a fazer as primeiras montagens de óculos, criando na própria ourivesaria uma seção de Óptica.
Em 1980 tirou o Curso de Optometria na Escola Portuguesa de Óptica Ocular em Lisboa, um curso de dois anos. Geada Pinto é da primeira leva de optometrias formados por esta Escola, e dos primeiros Optometristas em Portugal.
Em 2015 chegou a fechar a Ourivesaria na Praça do Município, que foi alvo de dois assaltos, um castigo pesado para quem passou uma vida a trabalhar.
No campo religioso e social, em 1982 tomou a direcção do Grupo Coral Santa Cecília da Paróquia do Fundão, onde cantou e ensaiou muitas letras, algumas músicas de sua autoria. Quem não recorda, entre muitas outras, a audição da letra e música sacra ”Ave Maria”?
Com a tradição tão vincada no Fundão da Ordem Terceira Franciscana, era membro efectivo e participativo nos Vicentinos, na Legião de Maria e no Grupo “Amigos de São Martinho.” Diariamente tinha a agenda carregada de actividades extraprofissionais de carácter social e de cidadania.
Sem a mão direita saber o que fazia a esquerda, ajudou muitos fundanenses carenciados, pagando rendas de casa, medicamentos, água, luz, empréstimos que nunca tiveram reembolsos.
Geada Pinto, apesar de uma vida familiar e profissional intensa, ainda tinha tempo para se dedicar a acções de voluntariado, a causas solidárias, cívicas, sociais e religiosas. Um exemplo para aqueles que quase não fazem nada, mas apregoam aos quatro ventos que estão muito ocupados com o nada…
Quis o destino que António Geada Pinto, um HOMEM com espírito franciscano, partisse para a vida eterna na festividade de São Francisco de Assis, enquanto decorria em Fátima a grande Peregrinação Nacional Franciscana.
Descansa em PAZ, Irmão Franciscano, Justo António Joaquim Geada Pinto.
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«Aldeia de Joanes», crónica de António Alves Fernandes

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