1971-74 – Os dias da Tropa (13)

José Carlos Mendes - A Minha Aldeia - © Capeia Arraiana

O meu plano é trazer aqui um resumo dos 38 meses e 11 dias da minha tropa: desde 21 de Julho de 1971 (entrada no Curso de Oficiais Milicianos da Escola Prática de Infantaria de Mafra) até 2 de Outubro de 1974 (aterragem no aeroporto militar de Lisboa, vindos de Luanda). Trarei apenas episódios marcantes, nunca esquecidos, que dormem acordados nos recantos da minha memória.

 Coluna militar em grande escala (Fonte: blogue «Operacional») - Capeia Arraiana

Coluna militar em grande escala (Fonte: blogue «Operacional»)

Cumpre hoje referir como prometido os meios de deslocação e de combate em andamento.

Ficam para mais tarde os meios aéreos existentes na zona (Cabinda – Comando de Sector).

Repare que não faço a seguir qualquer referência a carros de combate, Panhard ou outros. A explicação é muito simples: é que na nossa zona esse material de Artilharia não era usado.
Mas não nos faltavam meios, como se pode ver:

MEIOS DE TRANSPORTE E DE COMBATE

I – Os transportes terrestres

Jeep Willys - Capeia Arraiana

Jeep Willys

1 – Jeep Willys – Máquina periosa em zona de guerra, como ficou para nós claro logo que desembarcámos da corveta da Marinha no porto de Cabinda: um capitão, um médico e um furriel tinham sido mortos na Curva da Morte, entre o Sangamongo e o Buco Zau – exactamente numa viatura destas. Meio totalmente proibido pelas normas e pelo bom senso numa zona destas.

Land Rover - Capeia Arraiana

Land Rover

2 – Outro jeep: Land Rover – Havia no Comando do Batalhão outro jeep, mas esse era só para os oficiais superiores. Era um. Tudo o resto, quando possível e sem perigo de guerra, era feito com o Willys. Ao Land Rover até parece mal chamar-lhe «material de guerra», claro…

Unimog Mercedes - Capeia Arraiana

Unimog Mercedes

3 – Unimog Mercedes – Um dos melhores meios de transportes para os operacionais. Nunca ficava atolado nem enrascado em qualquer situação que fosse. Permitia vigilância total de todos os ocupantes. Era muito rápido se fosse necessário…

Unimog «Burro do mato» - Capeia Arraiana

Unimog «Burro do mato»

4 – Unimog «Burro do mato» – Era mesmo assim que lhe chamávamos – sei lá porquê… Levava entre seis e oito operacionais, nunca escondidos e expostos: sempre sem qualquer tipo de cobertura, como mandam as regras em zonas de «pancadaria» a sério.

Berliet  - Capeia Arraiana

Berliet – Capeia Arraiana

5 – Berliet – Esta espécie de camião era muito usado na frente das colunas, pela imponência militar e operacional que metia respeito (vinte homens armados é muito poder de fogo. Mas na sede do Batalhão onde eu estava ainda fizemos um reforço: euipámos uma das Berliets com metralhadoras e pára-balas enorme, o que tranformou aquele veículo quase num carro de combate – mas com a vantagem de ser muito rápido na deslocação…

>> Na próxima semana: meios aéreos <<

Enfim. É para esquecer, se tal for possível. Pelo menos, valha a cartarse… Vamos em frente.

Mas ficam para sempre alguns incidentes de guerra e muitos traumas eternos nas cabeças de todos os operacionais…

(Continua.)

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