No dia em que quis ser mãe!

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Nos dia de hoje as mulheres sentem cada vez mais esta dificuldade. O tempo e a organização social, levam as famílias a sentirem mais dificuldades em poderem ter filhos, mas acima de tudo, ter tempo para os educar. Hoje vou-lhes falar de uma mulher que tomou essa opção. E contra-ventos e marés, conseguiu educar cinco crianças, hoje já adultos!

Rita - Uma Mulher que quis ser Mãe - Capeia Arraiana

Rita – Uma Mulher que quis ser Mãe

Não é segredo para ninguém a amizade que tenho com a minha prima Rita Castelo-Branco. Aliás, estar com ela é reviver o tempo do passado que conheço dos designados Alçadas, pelos motivos que, por diversas vezes, já expliquei.

Como todos nós, a Rita tem defeitos, mas tem qualidades. Uma delas, e a que mais admiro, é saber ser mãe e esposa. Certamente também muitas mulheres haverão que se identificarão com estas palavras, mas com cinco filhos e um marido que trabalha quase 20 horas por dia acreditem que não é fácil.

Quando tomei a decisão de escrever esta crónica pensei se me lembraria de mulheres que abdicassem de uma carreira de sucesso e promissora para exclusivamente se dedicar à família. Reconheço que a minha própria mulher o fez, mas acaba por exercer a sua atividade profissional embora por conta própria. E a família tem duas filhas, numero muito diferente de cinco, ou até quatro, não deixando também de merecer o respeito e a admiração porque, quem sabe, se continuasse a exercer a sua profissão onde estava poderia sentir-se hoje muito mais realizada!

Por isso o valor da família é sem dúvida imaterial. Podemos dizer o pior, mas o facto é que quando estamos aflitos, regra geral, recorremos sempre à família. E neste caso concreto, já aconteceu tanto por mim, como pela Rita. E neste caso concreto os problemas resolveram-se como se nada tivesse passado. E neste caso concreto o que nos matem a chama viva é a alegria de estarmos juntos e conversar no que nos agrada. E o curioso é que também no passado os nossos pais também se ajudaram mutuamente e só soube apos o falecimento do meu, reagindo naturalmente de forma positiva e com a expressão: Graças a Deus que assim foi!

A Rita por três vezes manifestou um apoio incondicional aos meus projetos literários, revelando uma capacidade invulgar de um ser intelectual. Adicou por alguns instantes da sua vida familiar, bem preenchida, e desenvolveu uma reflexão notável de duas obras que escrevi. A entrevista dada na Radio Cova da Beira, aos quais lhes apresento um profundo agradecimento, mostra que na azafama dos filhos e netas ainda tem tempo para pensar no trabalho do Primo.

E se calhar são estes pequenos valores que devem prevalecer na relação das famílias. Onde há sempre sacrifícios parte a parte, mas, acima de tudo, o prazer de ser agradável ao mais próximo.
A homenagem que presto à Rita não é o facto de ter apadrinhado a minha obra literária. A homenagem que lhe presto é que se a Rita até fosse uma profissional famosa muito ocupada, com apenas cinco muitos livres para o Primo, ou Irmão, ou amigo, o faria da mesma maneira.

Quando fiz cinquenta anos convidei toda a família para uma grande festa que fiz na Comporta. Era impossível todos puderem comparecer. A logística, transportes, dormidas, tornavam-se incomportáveis, para não falar nalguns que tinham afazeres profissionais mesmo ao fim de semana, sendo de todo inviável este sonho de juntar os primos do lado do meu Pai com os do lado da minha Mãe.

Neste contexto, o Pai da Rita fez-me uma festa no próprio dia em que fiz 50 anos, juntando o Clã Alçada e a Rita tratou da lembrança, oferendo-me, em nome de todos, uma prenda muito espacial que ainda guardo com carinho: uma imagem da Sagrada Família!

E essa imagem, para um crente, ou não, é o testemunho do que na realidade as famílias devem ser. Não se trata de sagrado, obviamente, trata-se de que uns se lembrem dos outros nos bons, mas também, nos maus momentos, nunca deixando de manter a união que nos une para além dos apelidos!

Por isso querida Prima Rita, foste convidada para me apresentares estes livros, manifestando publicamente o meu apreço.

Bem hajas!

Covilhã, 16 de novembro de 2018

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«No trilho das minhas memórias», crónica de António José Alçada

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