Paz tem nome de justiça

Maria Rosa Afonso - Orelha - Capeia Arraiana

Ultimamente, pessoas, como o presidente francês e a chanceler alemã, referiram-se à possível criação de um exército europeu, em contextos de grande visibilidade, o que conferiu particular relevância ao tema. Por mim, desconfio dos exércitos, não percebo para que se quer um exército europeu; não me convence, o argumento do equilíbrio de forças.

Emmanuel Macron (Presidente da França) e Angela Merkel (Chanceler da Alemanha) - Capeia Arraiana

Emmanuel Macron (Presidente da França) e Angela Merkel (Chanceler da Alemanha)

Sei bem que a paz não é uma abstração, nem passividade frente aos problemas. Mas, é preciso discutir que tipo de atitudes e de opções tomamos. A primeira atitude, é cada um interiorizar que somos todos capazes do melhor e do pior; que somos todos capazes dos sentimentos mais altruístas (amizade, amor, solidariedade, tolerância…) e dos sentimentos mais mesquinhos (vingança, ódio, repulsa, intolerância…). E, por isso, não existe o baixar a guarda, é preciso agir a favor da paz, sempre.

O ponto é, então, saber qual o melhor caminho: se pelo investimento em forças armadas, estratégias e armamento cada vez mais sofisticado, numa economia de guerra, em que os números envolvidos são assustadores; se pelo investimento nas causas que levam aos conflitos e se ligam, em grande medida, às condições de miséria e de desigualdade em que vive grande parte do mundo.

Em meu entender, só uma opção política séria pela justiça pode conduzir a um mundo mais pacífico; e isto implica mudar o rumo das prioridades; implica, desde logo, colocar, em primeiro lugar, a questão do desenvolvimento. O desenvolvimento é a grande causa global, porque inclui todas as outras; inclui lutar contra a fome, a exploração, o analfabetismo, a destruição do ambiente, a insegurança, a falta de trabalho, a negação e a violação de direitos…, e também inclui lutar contra os fanatismos e os nacionalismos que não enxergam para lá do seu quintal e do seu próprio interesse.

Sem um mundo mais justo, pode haver avanços, em determinados domínios, neste ou naquele país, mas permanecerão os desequilíbrios, as crises e os conflitos armados. Não tenho dúvida.

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«Rostos e Contextos», crónica de Maria Rosa Afonso

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