O Poder em crise

António Emídio - Passeio pelo Côa - © Capeia Arraiana

Quem no nosso País, há pouco mais de quatro décadas atrás sabia o que era a Acção Nacional Popular? Quem era o seu Presidente? Quem sabia o nome de ministros do Governo? Um número reduzido de pessoas. Nos dias de hoje a maior parte dos portugueses desde os mais jovens aos mais velhos sabe o nome e conhece o símbolo dos principais partidos políticos, conhece ministros e deputados.

Karl Marx - Capeia Arraiana

Karl Marx

Que factos levaram a esta mudança? Em primeiro lugar a Democracia, com ela chegou a Liberdade de informar, de pensar e de agir, depois, a televisão, a rádio e os jornais sem o espartilho da censura foram-nos informando de tudo,isto começou a originar alterações profundas nos valores e nas normas sociais.

O crescimento económico do País e a Democracia universalizaram a oferta dos cuidados de saúde, da educação e da escolarização, aumentaram também a taxa de literacia, ao mesmo tempo há mais dinheiro, é mais fácil viajar e conhecer novas realidades contactando com outras gentes. Embora não vivamos no melhor dos mundos, o País mudou profundamente. O poder político, o poder económico, judicial, religioso e militar viu-se confrontado com o aumento do conhecimento e do saber do cidadão comum. A partir deste pressuposto, temos mais capacidade de controlo sobre quem nos governa, mas isto ainda não significa que possamos alterar muito do que está mal! É preciso saber mais…

Deixei propositadamente para o fim as tecnologias da informação, a Internet, o Facebook, o Twitter, o Google, o telemóvel, etc. essas tecnologias têm um papel importante na chegada ao poder de homens e mulheres da política, mas também servem para os criticar, para os desacreditar e mentir sobre factos que com eles e elas nunca aconteceram! É uma pressão constante. O poder blinda-se, mas os ataques são implacáveis, conseguirá o poder, tal como o conhecemos, sair desta crise?

O que escrevi neste artigo passa-se a nível global, o Facebook, o Twitter e o telemóvel influenciaram grandemente a Primavera Árabe, mas o mais importante foi a revolta dos jovens no Egipto, Síria e Argélia, jovens desempregados e profundamente frustrados, mas jovens com mais saúde e educação como nunca tinha havido até então nesses países.

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«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

2 Responses to O Poder em crise

  1. Maria Rosa Afonso diz:

    Precisamente, porque muitos eram jovens informados, universitários, acreditei que a Primavera Árabe podia ser o inicio de processos democráticos, naqueles países; mas falharam todos, por diversas razões, uma delas a falta de estruturas.

  2. António Emídio diz:

    Maria Rosa Afonso :

    O problema da Primavera Árabe, que existiu ! Foi não ter dado lugar ao Verão…Talvez algumas potencias ocidentais tenham tido culpa.

    António Emídio

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