As histórias do marechal de Villars

O marechal Claude Louis Hector de Villars foi um militar notável, cujo nome ficou na história de França, não apenas pelas glórias nos campos de batalha, mas também pelos muitos episódios rocambolescos que se dizem ter acontecido na sua longa vida.

Marechal de Villars

Villars, que era duque, par e marechal de França no tempo de Luís IV, foi ainda grande de primeira classe de Espanha, cavaleiro das ordens do rei e do tosão de ouro, governador da Provença e membro da Academia Francesa.
Uma vez, estando-lhe entregue o comando do exército francês, censuram-lhe o facto de se embriagar constantemente.
Vindo-lhe ao conhecimento tal acusação, resolveu escrever ao rei:
«Majestade,
Atravessei o Reno, forcei as linhas de Stolhoffen, obriguei o inimigo a abandoná-las, deixando-me 166 peças de artilharia, inúmeras munições e forragens. Cheguei até ao Danúbio e apoderei-me de Estugarda. Impus depois aos territórios que dominei uma contribuição, arrecadando mais de 18 milhões. Dividi essa soma em três partes. Com a primeira paguei ao vosso exército, com a segunda resgatei os vales de subsistência que, por falta de dinheiro, se haviam dado aos oficiais, e com a terceira parte tenho embebedado o meu bezerro.
Pois diga-me, Senhor, se algo esteve errado na minha conduta.»
O rei, ciente da valentia do marechal e dos favores que a nação lhe devia, respondeu-lhe numa curta nota:
«Fizeste muito bem, pois se assim não provêsseis teria eu de prover e pagar tudo, incluindo as vossas bebedeiras».
Mas há outros episódios registados sobre este ilustre marechal de França, que foi amado e também muito odiado por alguns dos homens do seu tempo.
A tal ponto sabia que havia muitos que o não estimavam que, duma vez, indo despedir-se do rei Luís XIV, antes de marchar em campanha ao comando do exército, disse-lhe diante de toda gente:
– Senhor, eu vou combater os inimigos de Vossa Majestade, e cá vos deixo no meio dos meus.
Conta-se também que, quando soube que o rei tinha nomeado mais 10 marechais de França, lhe escreveu:
«Acabo de saber que temos mais dez marechais de França, nomeados por Vossa Majestade. Pois sabei que, por mim, antes quereria que a França tivesse feito dez bons generais de exército».
O marechal de Villars desceu à sepultura com 81 anos, coberto de honras e de muitas histórias que o tempo não apagou.
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Por Paulo Leitão Batista

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