Folhas mortas

António Emídio - Passeio pelo Côa - © Capeia Arraiana

Não há eterno Outono com as suas folhas caídas, nem eterno Inverno cobrindo os campos com um manto de neve. A natureza renova-se, voltarão as flores e as verdes folhas, sentiremos novamente a aragem perfumada dos pinhais.

Outono - Capeia Arraiana

Outono

Tangia o sino, nessa melancólica e triste tarde de Outono, perguntei quem tinha sofrido o terrível castigo da morte, responderam-me: as folhas! Procurei-as, lá estavam caídas no chão acariciadas pelos últimos raios de Sol do entardecer a sua côr era de um bronze mortal. Surge então em mim essa bela imagem que foi tão breve, a Primavera e o Verão de tardes serenas mostrando a mocidade dessas folhas, li algumas páginas de belos livros sentado à refrescante sombra que elas me ofereceram, muitas vezes me envolvi em pensamentos nostálgicos – a Primavera é a infância e o Verão a juventude.

O relógio da torre batia a uma da madrugada, o vento enlouquecido encrespava as águas do Côa e arrancava as últimas folhas já moribundas misturando-as no ar antes de caírem mortas nos charcos de água que a cava e chuvosa noite moldou nos caminhos.

O vento adormeceu já de madrugada, e um frio cinzento, como a cinzenta manhã fez-me estremecer! O meu Outono e o meu Inverno serão eternos, já não voltarei a ver a Primavera da infância nem o Verão da juventude.

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«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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