Mas afinal há ou não alterações climáticas?

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Já em tempos tinha escrito uma crónica no Capeia Arraiana sobre o Acordo de Paris porque, julgo, ser um documento muito importante para o futuro da nossa qualidade de vida. No entanto tenho ouvido, e lido, algumas opiniões que me deixam preocupado, nomeadamente que «as alterações climáticas não existem sendo um negocio», ou até, com algum fundamento, que o planeta já passou por diversas fases climáticas e que, portanto, esta será mais uma. Resolvi então ler um livro de Ecotoxicologia, e fiquei apreensivo, pelos motivos que irei escrever.

Urso Polar - Capeia Arraiana

Urso Polar sofre com as alterações climáticas

Sem duvida que todos e todas concordamos que o clima está diferente, por exemplo, desde os anos 90. Também é verdade que o planeta tem passado por várias fases climáticas existindo inclusivamente um Vale Glaciar em Manteigas que atesta a designada «Idade do Gelo». Alias o planeta sofreu períodos de aquecimento entre as eras interglaciais. Um estudo efetuado na Antártida indicava que apos uma «Idade do Gelo» a temperatura ia subindo gradualmente, em média, 0.0013ºC por ano.

Coincidência, ou não, com a Revolução Industrial e o aparecimento dos motores a combustão a taxa de variação da temperatura média começou a subir, com crescimentos acentuados após a II Guerra Mundial, coincidindo com o período de grande crescimento económico suportado na indústria. Entre 1970 e 2000 a taxa de crescimento da temperatura média do planeta foi de 0,02ºC por ano. Nunca tal aconteceu!

Quem lê o valor acha-o sem dúvida irrisório. Mas o facto é que ele é cumulativo, isto é, se mantivermos este ritmo de crescimento, em 10 anos subimos, em média, 0,2ºC, em 100 anos 2ºC, considerando que este valor se mantém. Porém as conclusões indicam que entre 1940 (ano de referência) e 2020, a temperatura média no planeta vai seguramente subir 1ºC. Por isso, não vale a pena nos iludirmos, porque os dados meteorológicos neste período já apresentam margem mínimas de erro.

Assumindo, os que concordam com esta análise, quais serão então os efeitos reais que todos e todas iremos sentir? Essencialmente nos ecossistemas, saúde, alimentação, zonas costeiras e na distribuição espacial da água (chuva).

Estas alterações que estamos a presenciar são essencialmente no espaço e no tempo, afetando a produção de cereais, principalmente nas latitudes mais baixas, o surgimento de cheias e tempestades mais frequentes em zonas onde não ocorria, a acidificação dos oceanos devido ao aumento da presença de Dióxido de Carbono na atmosfera, com implicações na pesca e nos ecossistemas marítimos como os corais, a extinção de espécies vivas por dificuldades de adaptação às novas condições de clima, e no que respeita à agua potável (visto que a quantidade de agua no planeta é sempre a mesma) haverá mais disponibilidade nos trópicos e latitudes elevadas, mas nas latitudes médias e nas zonas semiáridas de baixas latitudes, prevêem-se secas prolongadas e o consequente decréscimo de disponibilidade.

Talvez o mais importante são os efeitos expectáveis na nossa saúde. Já nos apercebemos que estamos a sofrer de doenças que, regra geral, nestas zonas não apareciam, nomeadamente algumas doenças infeciosas que, por exemplo, ocorriam nos trópicos, ou seja já existe uma alteração da distribuição dos designados vetores de doenças, embora, felizmente, ainda sem grandes consequências.

As designadas «ondas de calor» que têm surgido, recentemente, em períodos mais longos, têm incrementado o número de mortes nos grupos de risco, como sejam crianças, grávidas e idosos.
As cheias e tempestades infelizmente também podem trazer mortes, principalmente em territórios onde o seu planeamento urbano não está pensado para estas intempéries, inesperadas e violentas.
Talvez a imagem que todos e todas tenhamos seja o desespero do urso polar em não se conseguir alimentar pelo degelo do Ártico.

Há mesmo alteração climática - Capeia Arraiana

Há mesmo alteração climática

Infelizmente, e repudiando qualquer especulação em torno deste tema, acredito que iremos ultrapassar mais esta dificuldade que está nas «nossas mãos».

Uma das ações importantíssimas é reduzir o teor de dióxido de carbono na atmosfera que se pode combater com a plantação de mais arvores autóctones, como por exemplo tem feito a Fraternidade Nuno Álvares, ao longo destes últimos anos, e que este ano «apostou» na Serra da Gardunha, mas também estarmos menos dependentes dos combustíveis fosseis, usando menos o carro individual (temos a alternativa dos transportes públicos), e também consumindo menos energia produzida a fuel ou carvão, aproveitando o sol, o vento e os recursos hídricos.
Mas primeiro é preciso que todos e todas entendam isso!

Covilhã, 01 de novembro de 2018

:: ::
«No trilho das minhas memórias», crónica de António José Alçada

One Response to Mas afinal há ou não alterações climáticas?

  1. Etelvina Abreu Neto diz:

    Há que combater o desperdício.Fazer uma gestão eficáz dos recursos naturais .

Deixar uma resposta