Beber em convívio

Beber em boa companhia, acompanhando um saboroso petisco ou uma lauta refeição, é coisa muito comum. Mas há quem defenda que a virtude de uma refeição é proporcionar um momento de farta beberagem entre os que se juntam ao redor da mesa.

Os Bêbados – de José Malhoa

Conta-se que num banquete ocorrido em Blackwall, em Inglaterra, celebrado em honra de lord Canning, este tomou a palavra para dizer aos comensais:
– Não esqueçamos, senhores, que este jantar é todo de peixe. Imitemos, pois, o exemplo dos peixes, que estão sempre a beber.
E carregaram-lhe na bebida até ficarem debaixo da mesa.
Os ingleses têm aliás um anexim, de onde se deduz que, ao tratar-se de beber, não devem ter nunca o copo cheio nem vazio. Isso explicam-no eles assim: quando o copo está vazio, deve-se encher, e quando está cheio deve-se despejar pela goela abaixo. É assim mesmo que eles fazem em convívio.

Cantar antes do almoço
O saber popular diz que cantar antes da hora de almoço (repare-se que antigamente chamava-se almoço à primeira refeição do dia) atrai a morte ou, pelo menos, apela à doidice.
É por isso que se dizia: «Quem canta antes do almoço não chega ao sol posto» ou «quem canta antes de almoçar ou é tolo ou quer casar».

Benemérito da Pátria
Nos velhos tempos da monarquia portuguesa, queixava-se um indivíduo de não ser atendida pelo governo uma sua pretensão, e exclamava:
– Desatender assim o filho de quem tanto sangue derramou ao serviço do rei!!!
Perante as palavras do queixoso, o oficial de serviço no palácio real perguntou-lhe:
– Então o seu pai foi militar?
– Nada. Não Senhor, foi alveitar… e sangrou muito cavalo da casa real.
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Por Paulo Leitão Batista

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