A espada do Papa Júlio II

O papa Júlio II (pontífice de 1503 a 1513) incumbiu Miguel Ângelo de lhe fundir a estátua, pretendendo ficar para a posteridade com uma espada segura na mão esquerda.

O Papa Júlio II

Estava pois o grande artista Miguel Ângelo a fazer o modelo em barro da estátua quando perguntou ao pontífice:
– Quereis, Santo Padre, que eu vos coloque antes um livro na mão esquerda?
– Não – atirou-lhe o papa – já disse que quero empunhar a espada de S. Paulo. Eu sei manejá-la melhor.
– Santíssimo Padre – observou-lhe um cardeal da cúria que estava presente – lembre-se Vossa Santidade do que Cristo disse a Pedro: «mete a tua espada na bainha».
– Sim, mas isso foi depois de Pedro ter dado a cutilada.
Esta resposta do papa deixou claro que preferia a espada ao livro e, efectivamente, na mão do pontífice ficou a espada nua.
Não foi por acaso que escolheu a espada, pois fora de sabre em riste que ele, já quase septuagenário, entrara na brecha de Mirandona, em 20 de Janeiro de 1511.
As barbas crescidas e a espada desembainhada em punho, ficaram a condizer com o espírito desabrido deste papa, ainda que fosse bom amigo dos livros.
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Por Paulo Leitão Batista

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