A crise na Venezuela

Maria Rosa Afonso - Orelha - Capeia Arraiana

Devíamos dizer crise humanitária e a ONU devia estar a intervir. Mas, o ditador, Nicolás Maduro, não quer pedir ajuda. Continua imperturbável, seguindo a cartilha de sempre: fala do inimigo externo, do imperialismo americano e de não sei mais o quê. Não vê a realidade e está disposto a tudo para se manter no poder.

Crise Humanitária na Venezuela - Capeia Arraiana

Crise Humanitária na Venezuela

Maduro não vê os supermercados vazios, as farmácias sem medicamentos, os hospitais a colapsar, as pessoas a morrer à fome e a violência e a insegurança (roubos, assassinatos, sequestros…) a atingirem índices nunca vistos. Não vê o êxodo do povo, os milhares e milhares de venezuelanos que cruzam a fronteira para os países vizinhos, mais de dois milhões nos últimos anos. Não vê os sucessivos planos de reformas a falhar.

Debaixo de um alegado respaldo popular (ganhou as últimas eleições, em maio, para um mandato de mais seis anos) e de diferentes manobras (quando, em 2015, perde as eleições para o congresso, faz uma nova constituição, sem a oposição ter condições para participar), está disposto a mandar prender, torturar e até matar os opositores; está disposto a reprimir as manifestações e a impedir que a imprensa independente faça o seu trabalho.

Julga-se acima do bem e do mal e do julgamento da comunidade internacional; diz não temer o Tribunal Penal Internacional, onde há um pedido, assinado por seis países (Argentina, Canadá, Chile, Colômbia, Peru e Paraguai), para que se investigue se o regime venezuelano cometeu ou não crimes contra a humanidade. Apesar disto, Maduro não desarma e o tom é sempre de desafio, continua a não deixar que representantes internacionais independentes entrem no país.

A curto prazo, não se vislumbra qualquer possibilidade de solução; ao contrário, a situação agrava-se a cada dia que passa. Os países que aí têm comunidades de emigrantes fazem o que podem. Portugal, por exemplo, tem mostrado a atenção devida aos portugueses e aos luso-descendentes que aí vivem, cerca de quinhentos mil, apoiando, na medida do possível, tanto os que permanecem como os que desejem deixar o país.

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«Rostos e Contextos», crónica de Maria Rosa Afonso

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