Guarda – exposição “Activ-Art”

António Alves Fernandes - Aldeia de Joane - © Capeia Arraiana

No âmbito da celebração da VI Semana Aberta de Maria Josefa Récio e do Dia Mundial da Saúde Mental, as Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus de São Bento Menni da Guarda, promoveram uma Exposição de Trabalhos do Programa “Projetar-te, num dos últimos andares do Centro Comercial La Vie.

Activ-Art na Guarda

Segundo a pagela informativa a criação destes trabalhos recorreu às técnicas de “SCHIMMELART” e MOSAIKON”, como meios terapêuticos efetivos que promove a saúde psíquica e qualidade de vida, de forma criativa e dinâmica.
Dado que pessoalmente partilhei muitas destas dinâmicas em Condeixa-a-Nova, tinha quase obrigação de me deslocar à cidade egitaniense, para observar in loco esta Exposição, fruto do trabalho de descobertas de antigas e novas atividades, na área da recuperação e reabilitação sócio ocupacional, sob a orientação de técnicos, que estimulam, ensinam com muitas competências e afetividades, gestos que unem pensamentos, sensibilidades criatividades, vontades e determinações, numa ação interdisciplinar.
Percorri o espaço onde está instalada a referida Exposição, e como estivesse numa sala de cinema, vivendo as imagens que iam surgindo num ecrã imaginário.
Naquele espaço tenho à disposição diversas cadeiras feitas com diversos e variados pedaços de azulejos e cores.
Não me sento em nenhuma, fico de pé, na Cadeira do Cabide devemos pendurar todas as fobias, ansiedades, angústias, e as nossas depressões. Encosto-me à Cadeira do Coração, que abrange pai e mãe e no centro nevrálgico um filho e na Cadeira do Amor, com a simbologia de dois eternos namorados, com o anel de noivado, junto a eles.
Mais longe também a Cadeira Narcisista, mas essa vai para o meu saco do esquecimento, a única que não escolheria.
Na sua parte superior a imagem de uma viola – instrumento musical, que tanto ajuda na recuperação psíquica, seguida com quadros com temáticas diversas. Quadros de Sedução I Parte, Sedução II Parte, Noite Estrelada, Paris em Festa, Confusão de Sentimentos, o Beijo, o Sonho, e personagens como Fernando Pessoa, James Dean Marilyn Monroe. Na sequência das imagens surge uma natureza viva, com “telas”, de Galo I, Galo II, Peixe Tropical, Gato e uma alusão à Revolução dos Cravos com a tela, Mandala de Abril.
Por mero acaso, por coincidência, no ponto mais alto do centro comercial, paredes meias com salas de cinema, onde se desbobina a Sétima Arte, o Instituto das Irmãs Hospitaleiras tem a Primeira Arte realizada com Pessoas Assistidas.
Como diz a nota informativa este programa da Exposição, “é uma atividade terapêutica com o objetivo da promoção do empowerment, a autodeterminação e bem-estar e a capacitação da pessoa com experiência em doença mental, nomeadamente ao nível da manutenção e estimulação cognitiva, motora comunicacional e funcional.”
As pessoas assistidas trabalham cada qual com as suas capacidades no reaproveitamento das matérias e na escolha das cores e de tudo aquilo que mais as sensibiliza.
Numa tarde de chuva miudinha senti-me feliz por admirar e meditar na Exposição das Irmãs Hospitaleira do Sagrado Coração de Jesus de São Bento Menni.
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«Aldeia de Joanes», crónica de António Alves Fernandes

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