«A Voz da Liberdade» por Maria Máxima Vaz

Hoje destacamos... - © Capeia Arraiana (orelha)

A historiadora Maria Máxima Vaz concluiu mais um estudo de investigação que foi, agora, publicado em livro. «A Voz da Liberdade» retrata a vida de D. António Alves Martins, Bispo de Viseu, e foi apresentado perante uma plateia repleta pelo Professor Doutor Ernesto Rodrigues na passada terça-feira, dia 2, na Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro em Lisboa. «O Senhor Bispo era um Homem recto, honesto e transparente. Era um Homem de causas e que defendia os mais desprotegidos sendo por isso perseguido pelos poderosos. Foi sempre fiel aos seus princípios. Desejo que se sintam impelidos a ler esta obra que destaca a vida plena de D. António Alves Martins!» destacou a escritora durante a sua apresentação.

Apresentação do livro «A Voz da Liberdade» de Maria Máxima Vaz - Capeia Arraiana

Apresentação do livro «A Voz da Liberdade» de Maria Máxima Vaz

Amigos e admiradores da obra da Professora Doutora Maria Máxima Vaz reuniram-se na passada terça-feira, 2 de Outubro, na Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro para assistir à apresentação do mais recente livro de investigação da historiadora.

«Com este livro D. António Alves Martins teve a honra que lhe era devida» destacou o Professor Doutor Ernesto Rodrigues durante a apresentação do livro «A Voz da Liberdade».
A obra fala sobre a vida e pensamento de D. António Alves Martins, Bispo de Viseu, que nasceu em Alijó (18 de Fevereiro de 1808) e faleceu em Viseu (5 de Fevereiro de 1882). O prelado acumulou as funções na Igreja Católica com as de jornalista, enfermeiro, professor e político.

Apresentação de Maria Máxima Vaz - Capeia Arraiana

Apresentação de Maria Máxima Vaz

A escritora sabugalense descreveu de forma sublime a personalidade do Bispo de Viseu que, apesar de prelado, também foi político.

«D. António Alves Martins, conhecido pelo Bispo Liberal de Viseu, é um exemplo para todos nós. Antes de chegar a Bispo estudou na universidade de Coimbra onde obteve todos os graus académicos até ao doutoramento que concluiu em 1837. Foi deputado em seis legislaturas. Foi ministro do Reino por três vezes. Foi ministro interino da Instrução Pública e da Justiça. Desempenhou durante vários anos o cargo de Director do Hospital de São José. Foi professor e jornalista, cónego da Sé Patriarcal, Par do Reino e Conselheiro de Estado. Em todos os lugares foi cumpridor, enérgico, justo e de vida austera e modesta. Sem luxos sempre. Tendo residência no Porto, quando, pelos cargos que desempenhava vinha para Lisboa, vivia num quarto de estudante que alugava e alimentava-se frugalmente. Deixou aos herdeiros, apenas os seus livros», descreveu a historiadora acrescentando que «um homem que desempenhou tantos cargos duma forma exemplar, merece ser mais lembrado».

Nuno Gaudêncio e Ana Maria com a escritora - Capeia Arraiana

Nuno Gaudêncio e Ana Isabel Gomes com a escritora

Perante a vereadora da Câmara Municipal de Odivelas, Ana Isabel Gomes, e do Presidente da Junta de Freguesia de Odivelas, Nuno Gaudêncio, a historiadora Maria Máxima Vaz lembrou que «a política tem um único objectivo… melhorar a vida da Humanidade. O trabalho de um político consiste em desenvolver todo o esforço para conseguir esse objectivo em todos os campos de acção. Bem sei que não é isto que nós vemos. Bem sei que são poucos o que levam vida dedicada ao bem comum. O Bispo Liberal de Viseu foi um político! Não foi notável por ser Bispo. Foi notável por ser Político!»

«D. António Alves Martins foi um ministro que cortou nas gorduras do Estado. Num dos seus governos reduziu o número de deputados para diminuir as despesas e em consequência uma moção de censura no parlamento, derrubou o seu governo. Desencadeou-se de imediato um movimento fazendo circular inúmeras petições que em pouco tempo registaram milhares de assinaturas a solicitar a continuação do governo de Alves Martins. Perante este movimento inédito de opinião pública. o rei D. Luís decidiu apoiar o governo que nem chegou a interromper funções e dissolveu o parlamento.», acrescentou a escritora.

No final da apresentação os presentes foram convidados para um Porto de Honra e para uma sessão de dedicatórias nos livros pela autora.

Sessão de dedicatórias e autógrafos do livro «A Voz da Liberdade» - Capeia Arraiana

Sessão de dedicatórias e autógrafos do livro «A Voz da Liberdade»

D. António Alves Martins entrou para a Ordem de São Francisco aos dezasseis anos e entrou pouco tempo depois na Universidade de Coimbra. Acusado de participar na Revolução liberal do Porto de 16 de Maio foi expulso da Universidade em 1828. Foi condenado à morte pelos miguelistas mas conseguiu não ser capturado. Após a Convenção de Évoramonte, foi eleito deputado em 1842.
Dirigiu o jornal Nacional, foi professor universitário e enfermeiro-mor do Hospital de São José.

Em 1862 é nomeado bispo de Viseu e em 1868 assume publicamente ser dirigente do Partido Reformista. Em 1869 foi aclamado ministro do Reino.

«A religião deve ser como o sal na comida: nem muito nem pouco, só o preciso», recorda uma citação na estátua em sua homenagem na cidade de Viseu.

jcl

4 Responses to «A Voz da Liberdade» por Maria Máxima Vaz

  1. Maria Máxima Vaz diz:

    D. António Alves Martins foi eleito deputado pelo círculo da Guarda em 1853. É interessante sabermos que esta legislatura é das poucas que entre 1826 e 1853 chegou ao fim do seu tempo de duração. Por feliz coincidência foi aquele em que D. António mais se distinguiu pelas suas elevadas qualidades como parlamentar e teve elogiosas referências nos jornais.

  2. Maria Máxima Vaz diz:

    Mais esclareço que Alves Martins foi deputado em 6 legislaturas :1842 – 1851 – 1853 – 1856 – 1858 – 1860.

  3. Adérito Tavares diz:

    Parabéns à caríssima amiga e incansável investigadora Maria Máxima Vaz por mais este estudo, desta vez sobre uma invulgar e marcante personalidade da sociedade portuguesa oitocentista. Tive pena de não ter estado presente mas, no mesmo dia e à mesma hora participei numa sessão sobre “O Estado e a Igreja na I República”, na Junta de Freguesia da Ajuda. Desejo à Doutora Maria Máxima Vaz o maior sucesso para este seu livro.
    Adérito Tavares

  4. Maria Máxima Vaz diz:

    Muito obrigada Amigo. O sucesso só será alcançado se conseguir tirar D. António Alves Martins do silêncio a que foi votado injustamente. É esse o meu desejo. Porque é um exemplo de honestidade política, de que o nosso país está carente.

Deixar uma resposta