Passam os anos fica a saudade… (13)

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - © Capeia Arraiana (orelha)

Relembro hoje o setor do comércio na vila do Sabugal da minha meninice…

Tasca do Mono (Dona Maria e o Ti Orlindo Mono) - Capeia Arraiana

Tasca do Mono (Dona Maria e o Ti Orlindo Mono)

Embora estivéssemos a viver no início da década de sessenta, com um poder de compra muito limitado para a maioria da população, o setor comercial tinha algum dinamismo no Sabugal.
Deixando de lado os cafés e tascas que havia, vejamos então do que ainda me lembro.

As mercearias principais eram, no essencial, cinco: O Depósito no largo da Fonte, o sr. Amadeu e o seu filho Aristides, na Rua Principal, o sr. Porfírio, o sr. José Augusto (Melão) e a Menina Clementininha. Curiosamente estas 3 mercearias situavam-se todas num raio de menos de 100 metros (as duas primeiras na rua dos Pontões e a última na rua Reis Chorão).

Claro que estas lojas vendiam muito mais que somente mercearia, podendo juntar-se a este tipo de comércio a loja do Ti Maximino, (na rua Principal, na casa onde mais tarde viveu o Padre Soita), e as lojas que pertenciam a famílias de «pitroleiros», como era a dos avós do Zé Cipriano (onde também estava o filho, sr. Raúl pitroleiro), mais tarde a loja da Bininha e hoje da Lena, e a loja dos srs. Padilha e Pedro (que ali estavam à vez), ao fundo da Rua das Tílias junto ao talho que ali havia.

E falando em talhos, se bem me lembro, eram cinco: o Luís Torres na rua Principal, junto à Igreja, o do Ti Jaquim das Iscas, pai do meu grande amigo Zé Sapinho, na rua das Tílias, o do António Alves (penso que era este o nome), no Largo da Trincheira, o do Ti Orlindo Mono, na rua António José de Almeida e o do Manel da Taberna Nova, no largo onde hoje está a estátua do Bombeiro.

Mas havia também duas ourivesarias, a do sr. Manuel Andrade, pai do Ilídio e do David, e a do sr. Silva, no lugar onde hoje o Totó continua com o negócio.

E não posso deixar de lembrar outros comércios, ligados a tecidos e roupas, como são o do sr. Herculano, do meu primo Tó Doutor (onde hoje é um oculista), do sr. Geraldo (hoje loja do sr. Alfredo), do sr. Zé Gonçalves (mais tarde o cabeleireiro Fernandes) e do sr. Germano no largo da Fonte.

Mas havia ainda na rua Principal as lojas do Corracha (onde hoje é a barbearia do Carlos), do sr. Fausto Baltazar (mobílias e outras coisas para a casa), do sr. Marques, (motores de rega e outras máquinas), do meu Ti Belmiro (de sementes, adubos, sal, etc.) e a de eletrodomésticos do sr. David Alexandre, para além da peixaria da minha Ti Prazeres e da minha madrinha Maria Adelaide.

E por último, cabe falar da padaria do sr. Pires (ao fundo da rua das Tílias), da loja do sr. Nascimento Póvoas, pai da minha grande amiga Cecília, onde me lembro de ir comprar com o meu pai tintas e pincéis, na rua Teófilo Braga, da Casa dos Meirinhos (ao lado da casa com a porta em ferradura) que vendia adubos e recolhia cereais, e da loja do Teles Rato, espécie de drogaria e muito mais.

ps. Domingo é a primeira volta das eleições presidenciais no Brasil. Espero que os brasileiros saibam optar bem neste dia. A vitória de um candidato da extrema-direita apoiado por todas as seitas religiosas não seria bom nem para o Brasil, nem para Portugal, nem para a América do Sul.

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«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

One Response to Passam os anos fica a saudade… (13)

  1. Manuel Luís Nunes diz:

    Amigo Ramiro: Quão saboroso é para o intelecto estas memórias!
    Apesar de algumas serem algo longínquas é sempre um enorme prazer recordá-las!
    Fico-te muito grato! Continua e não pares ainda que te apelidem de passadista|

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