Os bens das igrejas de Vilar Maior

:: :: VILAR MAIOR :: :: O arrolamento dos bens da igreja e capelas da freguesia de Vilar Maior, no concelho do Sabugal, foi coligido pela comissão concelhia de inventário em 21 de Março de 1912. Transcrevemos o respectivo auto de arrolamento e demais documentação existente no processo.

Igreja paroquial de Vilar Maior

Aos vinte e um dias do mês de março de mil novecentos e doze, nesta freguesia da Vilar Maior e no edifício da igreja denominada de S. Pedro, onde compareceu o cidadão Alfredo José de Carvalho, delegado do Administrador deste Concelho, e bem assim o cidadão Alexandre Gonçalves de Araújo, membro da Junta de Paróquia, indicado previamente pela Câmara Municipal do referido concelho, comigo Filipe José Serra, delegado do Secretário de Finanças e da comissão concelhia de inventários, para os fins consignados no artigo 62º da Lei da Separação das Igrejas do Estado, e assim principiamos o arrolamento e inventário da forma seguinte:

Bens imóveis
Uma igreja, denominada de S. Pedro, que serve de igreja matriz, com sacristia contígua, respectiva torre e cemitério.
Um casarão, próximo à igreja descrita, sem portas nem telhado.
Uma capela, denominada do Senhor dos Aflitos, na rua do mesmo nome.
Uma capela, no sítio do Castelo, já em ruínas.
Uma capela, denominada do Espírito Santo, também em ruínas.
Uma capela denominada a de São Sebastião, no mesmo estado.
Uma capela, em estado regular, no povo da Arrifana, desta freguesia.

Foi manuscrita a seguinte nota de rodapé referente aos bens imóveis acima enumerados:
«Todos estes bens foram entregues à Fábrica da Igreja por auto de entrega lavrado em 9-12-943. E todo o recheio pertencente à igreja matriz denominada de S. Pedro assim como o da capela da Arrifana. Vide Procº nº 18.202/269.»

Bens móveis existentes na capela do Senhor dos Aflitos
Imagens de:
S. Miguel.
Senhora das Dores.

Alfaias e paramentos.
Uma casula, em mau estado.
Uma alva, também em mau estado.

Bens móveis existentes na capela da Arrifana
Imagens de:
S. Tiago.
S. Fabião.
Santa Isabel.
Coração de Maria.

Alfaias e paramentos:
Uma banqueta de pau, em mau estado.
Uma cruz com crucifixo.
Um cálice de metal, ordinário.

Bens móveis existentes na igreja matriz denominada de S. Pedro
Imagens de:
Santo António.
Coração de Maria.
S. Pedro.
S. José.
Senhora do Castelo.
S. Sebastião.

Alfaias e paramentos:
Um vaso sacramental, que parece ser de prata.
Uma banqueta da madeira com a imagem de Cristo, composta de sete castiçais.
Uma banqueta de madeira dourada, com a imagem de Cristo, composta de cinco castiçais.
Uma dita, também de madeira dourada, com a imagem de Cristo.
Um cálice de metal, em mau estado.
Seis lanternas, em mau estado.
Um turíbulo de metal amarelo, em mau estado.
Um relicário de metal branco, parecendo de prata.
Uma naveta.
Cinco andores de madeira, em péssimo estado.
Quatro bancos de madeira.
Três cadeiras, sendo uma de assento de palhinha.
Uma lâmpada de metal amarelo.
Um vaso de estanho, para água.
Um par de galhetas, de estanho.
Dois missais, em meu estado.
Dois sinos de bronze, de tamanho regular, em bom estado.
Um pálio de damasco de seda, usado, com as respectivas varas de pau.
Duas capas de asperges, sendo uma delas muito ordinária.
Uma casula de damasco vermelho e branco, em mau estado.
Uma casula verde, também em mau estado.
Uma casula branca, também em mau estado.
Uma casula amarela e branca, em estado regular.
Quatro alvas de linho, em estado regular.
Uma sobrepeliz, em estado regular.
Duas dalmáticas, em estado regular.
Duas bolsas de corporais.
Quatro toalhas de altar.

Não existem bens do passal.
E não havendo outros bens a inventariar, se concluí este auto, ficando tudo entregue ao presidente da junta de paróquia, que vai assinar com os representantes do Administrador do Concelho e do secretário de Finanças, mencionados no princípio deste auto.

Existe ainda no processo um arrolamento adicional, datado de 17 de Junho de 1931:
Aos dezassete dias do mês de Junho de mil novecentos e trinta e um, nesta freguesia de Vilar Maior, concelho do Sabugal, compareceram os cidadãos Afonso Lucas, Administrador do Concelho do Sabugal, António Gata, presidente da Comissão Paroquial Administrativa, José Maria Gonçalves Baltazar, amanuense, representante da Câmara Municipal, comigo José da Costa Ilharco, chefe da Repartição de Finanças, indivíduos estes que constituem a Comissão Concelhia de Inventário, nos termos do artigo 63 da Lei de 20 de Abril de 1911, tendo aqui reunido para os fins consignados no artigo 62 da referida Lei, a fim de se proceder ao arrolamento e inventário adicional dos móveis e imóveis abaixo mencionados, de harmonia com o ofício da 2ª Repartição da Direcção Geral do Ministério da Justiça e dos Cultos, Livro 9, nº 5710, fls.141, de 1 do corrente, a saber:

IMÓVEIS
a) Adro da Igreja paroquial sita ao cimo da vila em Vilar Maior, confronta do nascente com Alexandre Gonçalves de Araújo, poente e sul com rua pública e do norte com António Valério.
MÓVEIS
b) Uma sineta existente na capela de Nossos Senhor dos Aflitos e uma outra sineta na capela da Quinta da Arrifana, freguesia de Vilar Maior.
c) Dois sinos e relógio existentes na Torre da Igreja Paroquial de Vilar Maior.
De tudo para constar se lavrou o presente auto.

Existe ainda um segundo auto de arrolamento adicional, datado de 15 de Junho de 1943:
Aos quinze dias do mês de Junho de mil novecentos e quarenta e três, na freguesia de Vilar Maior do concelho do Sabugal, compareceram perante mim Manuel Lopes Alexandrino, informador fiscal em serviço neste concelho, funcionário indicado para servir de escrivão neste auto, e as testemunhas idóneas adiante nomeadas, os Senhores Chefe da Secção de Finanças do mesmo concelho, Carlos Ferrer Lopes Correia, e o pároco da freguesia referida, na sua qualidade de representante da Fábrica da Igreja, a fim de, nos termos do artigo quarenta e seis do decreto número trinta mil seiscentos e quinze, de vinte e cinco de Julho de mil novecentos e quarenta, se procedeu ao arrolamento requerido à Direcção Geral da Fazenda Pública dos seguintes bens:

Bens Imóveis
Um edifício que serve de capela da Misericórdia, em Vilar maior, que confronta de todos os lados com caminhos públicos.

Bens mobiliários existentes na mesma capela:
1º – Uma bandeira de pano pintado representando o Purgatório.
2º – Uma cruz processional em madeira.
3º – Duas lanternas processionais.
4º – Uma caixa de madeira com cantos de ferro, para arrecadação da cera.
5º – Uma mesa de pinho com as dimensões de 1,80 por 1 metro.
6º – Quatro opas pretas em mau estado.
7º – Uma imagem do Senhor dos Passos, em madeira.
8º – Uma imagem da Senhora da Soledade, em madeira.
9º – Uma imagem de São João Batista, em madeira.
10º – Um crucifixo do altar mor, em madeira.
11º – Um lustre de cristal.
12º – Seis castiçais de latão.
13º – Um banco de pinho.
14º – Catorze quadros representando os passos.
Nestes termos deu-se o presente auto de arrolamento por efectuado, sem mais formalidades.
Foram testemunhas presentes Olímpio Augusto Quintela e João de Fontes e Sousa, casados, escrivães das execuções fiscais, residentes nesta vila, que também assinam este auto com os referidos Chefe da Secção de Finanças e Pároco da freguesia.

Fonte:
Arquivo e Biblioteca Digital da Secretaria Geral do Ministério das Finanças (Fundo: Comissão Jurisdicional dos Bens Cultuais)

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«Arrolamento das Igrejas», por Paulo Leitão Batista

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