Passam os anos fica a saudade… (10)

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - © Capeia Arraiana (orelha)

A «bola», isto é, o futebol era um dos acontecimentos mais marcantes do Sabugal…

Jogo Gordos contra Magros realizado a 21 de Maio de 1967 no Sabugal - Capeia Arraiana

Jogo Gordos contra Magros realizado a 21 de Maio de 1967 no Sabugal

Para os garotos como eu, jogar à bola era, mesmo sem jeito nenhum, um dos passatempos melhores. Jogávamos no recreio da escola, e mais tarde no do colégio, mas também ocupávamos as ruas, desde a D. Dinis onde morava, até à rua onde morava o Ti Metaio, pai do meu «padlinho pequeno» Horácio e do meu bom amigo Orlindo, e os largos, do Castelo à igreja. Claro que, muitas vezes os jogos eram interrompidos pelos polícias que, não sei porquê tinham uma grande atração pelas bolas…

E eram épicos os jogos contra os «inimigos dos pinhos», quase sempre com alguma pancadaria à mistura…

Mas a bola no Sabugal estará sempre ligada ao Sporting, não o de Lisboa mas o da nossa terra, que aprendíamos a amar desde pequenos.

Ir à bola ao domingo era uma peregrinação que fazíamos com alegria e com raiva contra o adversário e contra os árbitros.

No campo, onde hoje está o mercado e a estação dos autocarros, o público ficava praticamente dentro do campo, com jogadores e árbitros à mão de semear. Também se podia ir para a encosta do morro do lado do cemitério onde se via melhor mas não era tão emocionante…

E quando o jogo era com os da Guarda, aí havia «bordoada» pela certa! E se a fonte que havia e há no largo do cinema falasse, muito haveria de contar dos jogadores que ali iam lavar o sangue…

Eu sei que tudo isto era incorreto. Mas falar desse tempo e não dizer isto, seria também faltar à verdade.

O mais importante era que todos nós sentíamos que o Sporting era o nosso clube e por ele torcíamos e sofríamos.

Igualmente famosos e participados eram os jogos solteiros/casados e gordos/magros (neste caso, mais que jogar com os pés, havia muitos que jogavam com a barriga…)!

Era uma forma de convívio entre os sabugalenses adultos, quase sempre terminados com um lauto lanche/jantar. E lá ia admirar as «defesas» estrondosas do meu pai, sempre a jogar a guarda-redes pelos gordos…

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«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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