Os bens das igrejas de Vale de Espinho

:: :: VALE DE ESPINHO :: :: O arrolamento dos bens das igrejas e capelas da freguesia de Vale de Espinho, no concelho do Sabugal, foi coligido pela comissão concelhia de inventário em 20 de Março de 1912.Transcrevemos o respectivo auto de arrolamento e demais documentação existente no processo.

Capela Santo António -Vale de Espinho - Sabugal - Foto José Manuel Corceiro - Capeia Arraiana

Capela Santo António -Vale de Espinho – Sabugal – Foto José Manuel Corceiro – Capeia Arraiana

Aos vinte dias do mês de março de mil novecentos e doze, nesta freguesia de Vale de Espinho e no edifício da igreja paroquial denominada de Santa Maria Madalena, onde compareceram os cidadãos José Augusto Martins Paiva, representante do Administrador deste Concelho, e bem assim o cidadão Augusto dos Reis Lopes, indicado previamente pela Câmara Municipal deste mesmo concelho, comigo Filipe José Serra, delegado do Secretário de Finanças e da Comissão Concelhia de Inventários, para os fins consignados no artigo 62º da Lei da Separação das Igrejas do Estado; e assim principiamos o arrolamento e inventário da forma seguinte:

Bens imóveis
Uma igreja, denominada de Santa Maria Madalena, situada na rua da Igreja, com campanário, com dois sinos de tamanho regular, sendo um já quebrado, e relógio paroquial, com sacristia, casa contígua, altar mor, dois laterais.
Uma capela denominada de Santo António, situada no mesmo largo, com altar, contendo este a imagem de Santo António.

Bens móveis
Imagens de:
Santa Maria Madalena – orago da igreja.
S. Sebastião.
Coração de Jesus.
Senhora da Conceição.
Santa Bárbara.
Senhora do Rosário.
Menino Deus.
Santo Cristo.

Alfaias e paramentos:
Três pálios, um de damasco roxo e um de damasco branco, em meio uso.
Cinco capas de Asperges, de damasco, de diversas cores, em uso regular.
Três ternos de damasco, um preto, outro vermelho e outro branco, em uso regular.
Onze casulas de damasco, de diversas cores, em mau uso.
Dois véus de ombros, de damasco, em uso regular.
Um véu de custódia.
Três mesas de corporais com as competentes bolsas.
Sete véus de cálice, de várias cores.
Uma umbela branca.
Três estolas paroquiais, em diversas cores.
Cinco estandartes de diversas cores, de damasco, em mau estado.
Uma ambula de estanho.
Uma caldeirinha de metal.
Um ferro para hóstias.
Quatro lâmpadas de metal.
Três toalhas de linho.
Uma sobrepeliz.
Um crucifixo de madeira.
Duas estantes, para missal.
Uma tocha de lata.
Um crucifixo de marfim.
Uma cruz de prata e outra de metal.
Um turíbulo com naveta de metal.
Duas banquetas, uma de estanho e outra de madeira.
Três vasos, sendo dois sacramentais e outro de comunhão, sendo um de prata, em de metal e o último de estanho.
Dois cálices, um de prata e outro de bronze, com respectivas patenas.
Doze lanternas de lata, tudo em uso regular.
Não existem bens do passal desta freguesia.

E não havendo outros bens a inventariar, se concluiu este auto, ficando tudo entregue ao presidente da referida comissão paroquial, que assina com os representantes do Administrador do Concelho e do secretário de finanças, referidos no princípio deste.

Fonte:
Arquivo e Biblioteca Digital da Secretaria Geral do Ministério das Finanças (Fundo: Comissão Jurisdicional dos Bens Cultuais)

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«Arrolamento das Igrejas», por Paulo Leitão Batista

One Response to Os bens das igrejas de Vale de Espinho

  1. Joaquim Tenreira diz:

    Obrigado, Paulo, por esta informação. A igreja de Vale de Espinho tinha, na verdade, um belo espólio. Vou enviar cópia para o pároco. Boa continuação e abraço. J.

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