Passam os anos fica a saudade… (9)

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - © Capeia Arraiana (orelha)

A saúde não era na década de sessenta o que é hoje… Hoje vou recordar os serviços de saúde que havia no Sabugal, no tempo da minha infância, tal qual me lembro.

Hospital da Misericórdia no Sabugal - Capeia Arraiana

Hospital da Misericórdia no Sabugal

Em primeiro lugar, o hospital da Santa Casa da Misericórdia, onde hoje é o Lar. Edifício imponente para uma criança como eu, construído na década de 30, o hospital ficará para sempre na minha memória, ligado às «irmãzinhas» que se encarregavam do funcionamento do hospital e dos cuidados dos doentes internados.

Lembro ainda a «escadaria», para mim monumental, que dava acesso às enfermarias enormes, de que sempre tive uma grande atração misturada com muito medo.

Mas lembro alguns episódios que a ele me ligaram: Foi ali que fiz a minha primeira «radioscopia», num aparelho entretanto chegado. Mas foi ali também que me «queimaram» com um ferro em brasa um qualquer furúnculo, de que ficou um sinal na cara e a recordação de uma grande dor. E, por último, foi ali também que comecei a dar uma série de 30 (!) daquelas injeções de penicilina que doíam (e doem) muito, duas por dia, o que levou a minha mãe a aprender a dar injeções e a dar-mas em casa.

Dos médicos que havia no Sabugal a primeira lembrança vai para o dr. Raúl Batista, que tinha o consultório na casa que ainda hoje é conhecida como «casa do dr. Raúl».

O meu pai pagava uma avença anual a este médico e por isso este era como que o nosso médico de família.

O dr. Raúl era o pai do João e do Carlos, dois bons amigos, apesar de mais velhos.

Um pouco mais tarde, e com a chegada da Segurança Social, mudámos para o dr. Adalberto Pereira (pai do dr. João, infelizmente desaparecido cedo de mais, da Lalita e de uma figura sabugalense sobejamente conhecida, a Milita), com consultório na rua Reis Chorão, e que era o médico da Caixa.

Eram dois médicos totalmente diferentes, um a puxar para a família senhorial, o outro um médico popular. Pessoalmente, nem eu nem a minha família temos más recordações de qualquer deles.

Ao dr. Manso, e apesar da relação próxima que tinha com o meu pai (presidente do Grémio da Lavoura onde meu pai era guarda-livros e gerente; e proprietário da casa da Rua D. Dinis que nos vendeu e para onde fomos morar), nunca me lembro de ter ido a uma consulta com ele. O seu consultório era na sua própria casa na rua que hoje tem o seu nome.

Figura aristocrata, a sua presença sempre me fazia, não sei se medo, se respeito…

Um pouco mais tarde aparece no Sabugal o dr. Armando (do Soito), com consultório na casa que posteriormente foi do sr. Germano, no Largo da Fonte, médico que diziam muito bom e que, se não me engano, era também dentista. Lembro uma ida da minha irmã a este médico, numa altura em que, muito doente, não se conseguia atinar com a doença, tendo sido ele a diagnosticar, e bem, uma angina antidiftérica.

Por falar em dentista, havia muita gente (a minha avó incluída) que só arrancava dentes, e sem anestesia, no T’Zé Paca, barbeiro, matador de porcos e grande frequentador da tasca ao lado, que tinha a sua barbearia nos baixos da casa onde nasci e vivi até aos sete anos, na rua principal, e onde hoje é o bar do Tó.

Por último as farmácias. Eram 3: a da D. Lucinda, na rua principal, com a minha grande amiga Ilda aos comandos; a Farpelinhas, um pouco mais acima, e de que só me lembro da presença da Elsa, que penso ainda ser viva; e a do sr. Eduardo Alves no Largo da Câmara, que como já referira anteriormente, me atraia pelos «tesouros» que continham aquelas prateleiras e pelos objetos misteriosos que ali se manuseavam.

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«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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