O Intruja a Gente

Após a implantação da República apareceu em Portugal, entre outros, o jornal «O Intransigente», que empolgava os valores republicanos. Mas o dito periódico ganhou ferozes adversários que, para o desprestigiarem industriavam os ardinas a apreguá-lo como «O Intruja a Gente».

Machado Santos – herói republicano e fundador do jornal «O Intransigente»

O jornal, fundado pelo militar e político Machado Santos, concitou o ódio e a ira dos seus inimigos políticos. Face a isso, os demagogos, atingidos pela crueza da critica do jornal, instruíram os ardinas a publicitá-lo com o depreciativo pregão – «O Intruja a Gente».
O Intransigente foi fundado por António Machado Santos, oficial da Marinha e herói da Revolução, que defendeu com denodo a posição dos revoltosos na Rotunda ao cimo da Avenida da Liberdade, em Lisboa, lugar essencial para o sucesso do movimento militar que pôs fim à Monarquia.
Foi eleito deputado à Assembleia Constituinte de 1911, mas seria um dos primeiros a manifestar desencanto com a evolução da política na República, que considerou estar a afastar-se dos ideais republicanos que a motivaram. Foi nesse clima que fundou O Intransigente, que publicou e dirigiu continuadamente, nele expressando o seu desencanto com o rumo político que o país tomava. Mas o apodo de «O Intruja a Gente», para o seu jornal fê-lo passar por momentos de ira e revolta. Porém revelou-se impotente para por termo ao gozo com o seu título, que era desacreditado pelos ardinas, que com o seu pregão provocavam a hilaridade do público lisboeta que ria a bandeiras despregadas com o dito dos garotos que vendiam os jornais nas ruas.
Mas estes episódios não esmoreceram a coragem de Machado Santos, que, sem peias nem concessões, continuou a denunciar todos os que faziam mal à causa da República, desde os monárquicos saudosistas, aos revolucionários anarquistas e aos revisionistas dos valores da revolução.
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Por Paulo Leitão Batista

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