Franco e a ocupação de Portugal (1940)

António Emídio - Passeio pelo Côa - © Capeia Arraiana

Franco e os seus generais, estimulados pela vitória na Guerra Civil, entraram numa espécie de «erecção psíquica», levando essa «erecção» a quererem participar militarmente na II Guerra Mundial ao lado da Alemanha e da Itália,com uma condição, Hitler e Mussolini garantir-lhes-iam o tão sonhado e desejado Império do Norte de África, que consistia no actual território de Marrocos e ainda um bom bocado da Argélia, mas tanto um como o outro nada lhes garantiram. Então, surpreendentemente engendraram um plano ofensivo para invadir portugal! Isto em 1940.

Hitler e Franco - Capeia Arraiana

Hitler e Franco

Tudo começaria com um ataque surpresa a Gibraltar, mas Franco e os seus Generais previam que os ingleses tentariam ocupar as Canárias fazendo delas uma alternativa a Gibraltar e, possivelmente tentariam desembarcar em Portugal e invadir a Península Ibérica, dizendo de outra maneira, ocupar a Espanha e tendo em Portugal a sua base logística, não acredito que Salazar tentasse fazer frente aos ingleses… Sendo assim, só restava a alternativa de uma invasão simultânea de Gibraltar e Portugal. Como justificar essa invasão? A Espanha imporia um ultimátum a Portugal dando-lhe um prazo de 24 horas para ser cumprido, mas um ultimátum impossível de cumprir (como por exemplo – digo eu – obrigar Portugal a terminar com a secular Aliança com a Inglaterra num prazo de 24 horas).

Não se invadia Portugal pelo perigo que constituía, o próprio Franco referia-se à «fraca potencialidade do país vizinho» poderia era vir a ser usado pela Inglaterra para possíveis operações militares contra a Espanha, se por acaso a Inglaterra perde-se Gibraltar a marinha inglesa podia fazer uso das bases navais portuguesas.

Quantos homens para a invasão? Uns 250.000, o dobro do que dispunha Portugal, a isto tínhamos de juntar carros de combate e aviões, aqui convém dizer que Espanha estava à espera da ajuda da Alemanha e da Itália para se reforçar com bombardeiros, caças e aviões de reconhecimento. A Espanha estava desgastada pela Guerra Civil, mas as suas tropas tinham uma preparação muito superior às tropas portuguesas que já não combatiam desde 1918.

A invasão seria levada a cabo por dois exércitos que actuariam, um a Norte e outro a Sul do Tejo. O do Norte avançaria em direcção a Cidade Rodrigo, Guarda, Celorico da Beira, Coimbra e Lisboa, o do Sul entraria por Elvas, passava por Évora e Setúbal, ambos tentariam ocupar rapidamente Lisboa e dividir o país em três partes. Segundo Franco, era preciso – bater forte – e o mais rápido possível, não houvesse uma contra-ofensiva ou a temível ajuda da Inglaterra a Portugal.

E a ocupação seria temporária ou definitiva? Vejamos o que disse Serrano Suñer então Ministro dos Negócios Estrangeiros Espanhol a Ribbentrop seu homólogo alemão em Berlim: «(…) no entanto, não se pode evitar ao olhar para o mapa da Europa que geograficamente falando Portugal na realidade não tinha direito a existir (…)» Se assim falou foi porque tinha autorização de Franco.

Mas felizmente não houve invasão nenhuma porque Hitler e Mussolini não viam com bons olhos a ambição territorial da Espanha em África e o «expansionismo» de Franco.

Uma bocadinho de uma canção nacionalista espanhola desse tempo, e cantada por falangistas:

Sólo esperamos la ordem
que nos dé nuestro General
para borrar la frontera
de Espanha com Portugal.

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«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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