Quando os véus islâmicos tapam a cara…

Maria Rosa Afonso - Orelha - Capeia Arraiana

No dia 1 de agosto entrou em vigor uma lei que proíbe o uso da burqa (véu integral) e do niqab (véu que só deixa ver os olhos), na Dinamarca – o mesmo já tinha acontecido em França, na Bélgica, na Áustria, na Holanda. Embora seja sensível ao argumento da liberdade individual, onde se incluem a religião e a cultura, estes tipos de véu atingem aspetos do que é a humanidade em nós e por isso não posso ser contra a lei.

Burka islâmica - Capeia Arraiana

Burqa islâmica

Não discuto, para estas mulheres, a dificuldade da vida diária – levar os filhos à escola, fazer compras, ir ao centro de saúde, passear no parque… – debaixo daquele niqab de onde só reluzem os olhos ou daquela burqa de onde só podem ver através de uma espécie de rede que mais parece a grade de uma prisão. Discuto o que, a meu ver, é a sua despersonalização, mesmo que seja apenas quando andam na rua ou frequentam espaços e instituições públicas. De rosto tapado, até ao ponto do não reconhecimento, fica em causa a sua identidade (quem são?) e também o suposto primeiro das relações humanas: o face a face com o outro.

Esconder o rosto, é negar o sorriso, o olhar, os gestos, a proximidade e o acontecer normal de qualquer encontro, sejam quem forem os interlocutores. Por isso, nenhuma religião, cultura ou tradição podem impor às mulheres regras de moralidade e bons costumes, assentes em arcaísmos ultrapassados e desnecessários, que impeçam ou diminuam as suas expressões de humanidade.

Mas, há quem refira que são elas próprias que querem. Isto é questionável, porque não se pode falar de vontade, quando há, nas sociedades islâmicas, um fechamento religioso e um peso cultural tais que não deixam alternativas. Mas, o mesmo não acontece nas sociedades europeias, abertas, democráticas, seculares…, onde essas alternativas existem e, por isso, deveriam ser as próprias comunidades a perceber que não faz nenhum sentido andar de cara tapada.

É pena que tenham de existir leis para que uma atitude essencial e de bom senso seja uma realidade.

:: ::
«Rostos e Contextos», crónica de Maria Rosa Afonso

3 Responses to Quando os véus islâmicos tapam a cara…

  1. António Emídio diz:

    Maria Rosa Afonso :

    Este choque de culturas era inevitável ! Sem dúvida que burqas e niqabes são desumanas em qualquer parte da Terra, mas no contacto que tive com mulheres muçulmanas, notei que o islamismo não tem em relação à mulher uma atitude tão severa como pensamos aqui no Ocidente. « O Céu está aos pés da mãe » esta frase dita pelo profeta demonstra a atitude do Islamismo para com a mulher. Maus tratos dados às mulheres ? Assassinatos de mulheres ? Também os temos no Ocidente, muito mais do que aquilo que pensamos, fanáticos religiosos ? Também temos disso.Intolerantes ? Há muitos.
    Há jovens muçulmanas que se querem afirmar como tal, por isso vestem-se tradicionalmente, chamemos-lhe assim.

    António Emídio

    • Ant diz:

      1.Não se deve misturar “maus tratos” ou “assassinatos” que existem em todo o mundo (India, China, Indonésia, Ocidente, América Latina, …) com as imposições e inspirações da religião que resultam em imposições, maus tratos e até na morte (o mais frequente é o assassínio d honra) de mulheres.
      Os primeiros são um triste fenómeno que infelizmente está e sempre esteve presente presente nas sociedades humanas e que estas, na medida em que se conseguem “civilizar”, vão procurando formas de o evitar.
      Os segundos são um estímulo dado pelo islão “adicional” aos primeiros.

      2. Dizer que o Islão respeita muito as mulheres porque o Corão ou o Profeta registaram uma frase bonita é quase uma fraude. Todos os grandes criminosos contra a humanidade, registaram frases cândidas e inspiradoras. Não nos deixemos enganar, olhe-se como estão organizadas as sociedades islâmicas (ricas e pobres – porque as há bem ricas, não é um problema de falta de meios) nos dias de hoje. O que fazem é o que conta, não o que nos “contam”.

      3. Falo do que conheço por dentro e por fora, na última década passei cerca de metade da minha vida em países islâmicos, tenho inúmeros amigos muçulmanos, lá e cá na Europa. Discuto, estudo e até participei em cerimónias e celebrações diversas muçulmanas. A diferença é tãão grande que nem é possível fazer qualquer comparação.

      4. Sabem que o atentado ao Charlie Hebdo sucedeu porque nesse jornal trabalhava uma jovem marroquina (o país islâmico mais “tolerante”…) que fora perseguida violentamente no seu país porque defendia que durante o Ramadão quem não quer jejuar, não deve ser obrigado? Foi presa! E perseguida pelas autoridades e pela população. De tal maneira que teve de fugir clandestina. Quem retomou a perseguição? Os seus “irmãos” que moram na Europa e até já cá nasceram. Note-se: aqui fizeram pior do que lá.

      Não nos deixemos enganar, a prazo, o resultado do Islão é sempre o mesmo (no Médio Oriente já lá andam há 1400 anos e não há um país “direito”).
      Quem quer ver, vê.
      Quem tem filhos ou netos, deveria querer ver.

  2. António Emídio diz:

    Senhor, ou senhora Ant :

    O ódio gera ódio, a violência gera violência. Pessoalmente não sei que faria se visse o meu País invadido e a minha família assassinada por exércitos estrangeiros, muito provavelmente também pegaria numa Kalashnikov, só com uma diferença, não assassinava inocentes, procuraria os culpados, porque dentro de mim não existe o ódio nem o fanatismo, nem permito que venham a existir até ao fim dos meus dias, o que dentro de mim existe é a revolta de ver tanto sangue derramado por exércitos legais e terroristas fanáticos. Para mim, um árabe é um ser humano, um americano é um ser humano, um português é um ser humano, um palestiniano é um ser humano, um israelita, ou judeu, como queira, é um ser humano, temos de nos respeitar uns aos outros, mas para sermos respeitados temos de respeitar. Conversa fiada dirá o senhor, ou a senhora, digo o que sinto, pensa que eu gosto de ver lapidar uma mulher ? Matá-la por um simples capricho ? Pensa que gostei de ver aquele video que correu mundo, do marido matar a mulher, penso que no Brasil ?
    Termino dizendo-lhe uma coisa que já saberá, o pior fanatismo é o religioso venha ele de onde vier, de Meca ou de Roma.

    António Emídio

Deixar uma resposta