Alterações climáticas

Fala-se hoje abundantemente nas alterações do clima como se tal fosse um fenómeno novo, uma originalidade do tempo em que vivemos. A verdade é que a história da Terra está cheia de fenómenos de modificação climática que levaram a grandes transformações na crosta terrestre, na vegetação e na vida animal.

Outono de seca em Portugal - António Emídio - Capeia Arraiana

Alterações do clima – uma realidade há muito sentida

O português João Inácio Ferreira Lapa, ilustre professor de agronomia do Século XIX, defendia a tese das estações trocadas como um fenómeno normal e ciclicamente verificável.
Para ele, o temperamento das estações não é, nem podia ser, igual em todos os pontos da terra, pois cada localidade e cada clima, tem uma distribuição de meteoros pelas estações, a qual, de combinação com a natureza do solo, impõe a vegetação e a fauna dessa mesma região.
Contudo, para o insigne agrónomo, esta distribuição de meteoros está sujeita a uma oscilação que, inocente ou de fraco alcance dentro de certos limites, chega, quando os excede, a inverter a feição normal das estações e a prejudicar e limitar a criação orgânica de muitas espécies.
Nos climas meridionais da Europa o inverno deve ser frio e chuvoso, sendo por sua vez o verão quente e seco. Já a primavera e o outono caracterizam-se pela humidade e uma certa tepidez da temperatura atmosférica. Ora se este tempero é transtornado, sobrevindo daí invernos secos e quentes e verões chuvosos e frios, ficamos necessariamente perante um ano climatérico fértil em doenças e escasso em colheitas.
O povo, de resto, atento a tudo o que as sucessivas gerações experimentaram, introduziu essas cambalhotas do clima no seu adagiário:
Bom tempo no inverno e mau tempo no estio.
Mau ano de fome e bom ano de frio.

Geralmente, entre as duas estações extremas, dá-se a mudança directa e recíproca. Inverno que saiu verão, obriga a sair o verão inverno. E essa ideia está mais uma vez traduzida em provérbio:
No inverno à soalheira, no verão à lareira.
Mas, chegado aqui, Ferreira Lapa defende que pode o inverno ser seco e o ano sair bem temperado, mas apenas no caso de não faltarem as chuvas no solstício e, especialmente, no equinócio vernal. A primavera pode assim remir a penúria preparada pela seca do outono e do inverno.
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Por Paulo Leitão Batista

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