A importância de «fugir da rotina»

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

No ano passado, na cidade da Guarda, realizou-se uma conferência sobre empreendedorismo tendo sido convidado para falar sobre a importância da inovação nas empresas. Entendi que a melhor forma de abordar o tema seria, na realidade, sair da zona de conforto procurando novos desafios.

A importância de fugir da rotina - António José Alçada - Capeia Arraiana

A importância de fugir da rotina

Em tempo de férias nada melhor do que pensar no futuro. Sem nos apercebermos é uma agradável forma de «fugirmos» da rotina. Só que na realidade não produzimos e, preferencialmente, apetece-nos fazer que melhor entendemos. Mas este relaxamento pode-nos ajudar a refletir como melhorar a nossa autoestima.

Na conferência em causa, organizada pelo Quiosque do Empresário e cujo convite muito me sensibilizou, procurei salientar o papel do trabalho em equipa como fator principal de inovação, e dei o exemplo do malefício do trabalho rotineiro recorrendo ao filme «Tempos Modernos», de 1936, com Charlie Chaplin e que de tanta porca apertar na linha de produção na fábrica ficava com o tique que o acompanhava sempre, fosse na rua ou em casa.

«Tempo Modernos» um filme de 1936 ainda muito atual - António José Alçada - Capeia Arraiana

«Tempo Modernos» um filme de 1936 ainda muito atual

Aliás a rotina é uma das principais causas da estagnação profissional e que se reflete na competitividade das empresas.

Em termos pessoais, e profissionais, sempre tive alguma sorte em ter participado em projetos considerados «impossíveis» mas graças a uma boa coordenação de equipa e uma «abertura» a novos desafios sem dúvida, como dizia o Lorde Baden Powell, fundador do Escutismo, «nada é impossível». Talvez o projeto que mais me marcou foi a construção da CREL (Circular Regional Externa de Lisboa), no prazo estabelecido, onde cada peça estava coordenada com a Gestão do Empreendimento. Em Portugal, na época, ninguém acreditava que tal obra se efetuasse no prazo acordado com o Governo de então.

Mas nada melhor que uns bons exemplos, de pessoas que ficaram na história, e que não tinham o melhor currículo, ou até as melhores condições físicas, para o desempenho dos cargos que os tornaram «imortais».

Mesmo os que ainda se lembram da História de Portugal, nunca se devem ter apercebido que D. João IV não estava predestinado a ser Rei. Aliás era um músico brilhante, e provavelmente sempre pensou que ficaria na história como tal. Porém veio a tornar-se num homem chave no que somos hoje, e também deve ser dito, muito graças ao apoio que teve de sua mulher, a Rainha D. Luiza de Gusmão, espanhola de nascimento e de educação.

Outro exemplo é o Presidente Franklim Roosevelt. Foi o presidente com mais mandatos e que mais tempo esteve na Casa Branca, entre 1933 e 1945. Porém teve poliomielite, em 1921, tendo ficado paralisado nos membros inferiores. Hoje os Estados Unidos devem-lhe a recuperação económica depois da chamada Grande Depressão, de 1929, e os europeus nunca podem esquecer o apoio americano na Segunda Guerra Mundial. Quem diria que um deficiente motor ficaria na Historia da Humanidade, numa época, onde não havia a sensibilidade e a tecnologia que felizmente, hoje, minoram a dificuldades de quem sofre destes problemas?

Muitos outros exemplos foram dados como o Ministro Duarte Pacheco, Engenheiro Eletrotécnico de formação, e um académico, mas que ficou na história das Obras Publicas em Portugal.
Por isso, é importante procurar «fugir da rotina». Não só nos ajuda profissionalmente mas, principalmente, nos dá um alento psicológico que nos prende à vida!

O desafio da mudança deve ser aceite sempre como algo positivo!

Vilamoura, 10 de agosto de 2018

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«No trilho das minhas memórias», crónica de António José Alçada

2 Responses to A importância de «fugir da rotina»

  1. Antonio Alves Fernandes diz:

    Li…gostei imenso. Uma lição. Bem hajas, amigo e irmão Alçada.

  2. António José Alcada diz:

    Um abraço fraterno. Boa estadia na nossa terra!

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