Passam os anos fica a saudade… (6)

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - © Capeia Arraiana (orelha)

Os amigos e as brincadeiras dessa altura, se tinham o centro na Rua Dom Dinis, estendiam-se um pouco por todo o Sabugal, Escola incluída. Um espaço como o que descrevi na semana passada, era claro que criava laços entre garotos e garotas de idades semelhantes, não só ali moradores, como atraídos pela brincadeira.

Brincadeiras de antigamente nas ruas - Capeia Arraiana

Brincadeiras de antigamente nas ruas

Sei que me vou esquecer de muitos, mas aqui deixo alguns de que me lembro: o Figueira, o Aníbal (Nibali para nós), o Mário Páscoa, o Tó Fortunato (grande amigo cigano a que se pode juntar o irmão João, mais velho que nós), o Zé Coelho (que vinha até nós pela Quelha), o Zé Manel (quando estava em casa dos avós), o Manel (a prova mais acabada de que não foi preciso chegar aos nossos dias para se respeitar a deficiência), a minha irmã (é claro), a Janita, a Dália (que vivia no largo do Castelo e onde eu e a minha irmã íamos quase todos os dias buscar leite diretamente da vaca), a Amélia, a Carricinha, e quantos outros de cujos nomes tanto queria lembrar-me.

As ruas eram nossas, e eram religiosamente ocupadas logo que saíamos da escola, ou aos fins de semana. Os garotos jogavam à bola (coisa a que nunca fui bom, pelo que era sempre castigado com a baliza…), ao «rilha um, rilha dois, rilha trinta e um e meio», ao «corta-fios», ao «presunto», mas o que mais nos apaixonava era a descoberta da «Vila» e os sucessivos «assaltos ao Castelo», em combates ferozes entre os bons (normalmente comandados pelo Robin dos Bosques) e os maus (capitaneados por essa figura odienta que era o Príncipe João).
Na próxima semana divulgarei um texto que escrevi no início da década de setenta!

Com as raparigas jogávamos, que me lembre, aos «cincantinhos», ao «anel», ou à «chona», nas suas duas versões.

Éramos os «capitães» das ruas da «Vila» e quando calhava tínhamos as nossas brigas que eram rapidamente ultrapassadas, sobretudo quando o «inimigo» eram os dos «Pinhos» (é melhor não contar, pois senão ainda vamos presos passados estes anos todos…), ou quando nos tínhamos de ajudar para fugir ao polícia, ou a algum adulto…

Mas os locais de brincadeira não se limitavam à «Vila». De entre os locais que lembro, está o Largo que existia entre a farmácia do Farpelinhas e a Igreja, local ótimo para jogatinas de bola, quase sempre terminadas em fuga desenfreada do polícia de serviço.

Ali também jogávamos à «carica», nas escadas redondas existentes (o que também acontecia nas escadas da Casa dos Britos), e ao «rilha», quando não nos ficávamos sentados no chão ou nas escadas a conversar…

O recreio da escola era outro local de brincadeira, sobretudo nos dias em que o tempo deixava a terra pronta para o pião, o berlinde (sorte nossa que o sr. Fernandes «Pirolitos» nos deixava «roubar» algumas daquelas bolinhas de vidro dos pirolitos da altura…), o «prego» (quase sempre jogado com facas velhas que roubávamos em casa), etc.

E digam lá se não era uma infância feliz?!…

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«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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