Os bens das igrejas de Santo Estêvão

:: :: SANTO ESTÊVÃO :: :: O arrolamento dos bens das igrejas e capelas da freguesia da Santo Estêvão, no concelho do Sabugal, foi coligido pela comissão concelhia de inventário em 29 de Fevereiro de 1912. Transcrevemos os respectivos autos de arrolamento existentes no processo.

Igreja Matriz de Santo Estêvão - Sabugal - Censos 1758 - Capeia Arraiana

Igreja Matriz de Santo Estêvão – Capeia Arraiana

Aos vinte e nove dias do mês de fevereiro do ano de mil novecentos e doze, nesta freguesia de Santo Estêvão e no edifício da capela denominada a de São Sebastião, onde compareceram o cidadão Alfredo José de Carvalho, como delegado do Administrador deste Concelho, e bem assim o cidadão Albano Lourenço Leitão, membro da junta de paroquia, indicado previamente pela Câmara Municipal do referido concelho, comigo Alípio das Neves Ferreira, delegado do Secretário de Finanças e da Comissão Concelhia de Inventário, para os fins consignados no artigo 62º da Lei da Separação das Igrejas do Estado; e assim principiamos o arrolamento e inventário da forma seguinte:

Bens imóveis
Uma capela, denominada de São Sebastião, onde se exercem as funções paroquiais, com um alpendre e um sino de tamanho regular (quebrado), no sítio das Eiras.
Uma igreja em construção, junto à estrada distrital, com capela mor, sacristia e nave, forrada com paralelos de ferro, com respectiva telha de Marselha para ser telhada.

Imagens encontradas na capela
São Sebastião,
Santo Estêvão,
Senhora da Conceição.

Alfaias e outros utensílios pertencentes ao culto existentes na referida capela:
Um cálice de prata, com sua patena do mesmo metal, em bom uso.
Um cálice de metal amarelo, com sua patena, em mau uso.
Uma custódia de prata, em bom uso.
Um vaso sacramental, de prata, em bom uso.
Um vaso de metal amarelo, em mau uso.
Um turíbulo de metal amarelo, em bom uso.
Uma cruz paroquial, de pau, com a efígie de Cristo, em bom uso.
Quatro castiçais de pau, em mau uso.
Dois tocheiros de pau, em mau uso.
Uma cruz de pau, em mau uso.
Uma caldeirinha de metal, para água benta, em mau uso.
Uma campainha de metal.
Quatro lanternas, em mau uso.
Uma ambula de estanho para os santos óleos.
Uma concha de estanho para batizados.
Um ferro para hóstias.
Dois missais, em uso regular.
Uma estante, de pau, para missal.
Uma casula de damasco, branco.
Uma estola branca, em bom uso.
Uma casula branca de seda, lisa, em mau uso.
Uma casual de seda roxa, em uso regular.
Uma casula de seda encarnada, em uso regular.
Uma casula de seda preta, em uso regular.
Uma casula de algodão verde, em mau uso.
Um véu de ombros de seda branca, em bom uso.
Um véu de ombros de seda branca, em mau uso.
Seis bolsas para corporais, de diversas cores, em mau uso.
Quatro corporais de linho branco, em uso regular.
Seis véus de seda para cálice, em mau uso.
Um pano de seda branca para estante de missal, em mau uso.
Uma umbela de seda branca, em uso regular.
Uma galheta com seu prato de estanho, em uso regular.
Um pálio de seda encarnada, com pinhas douradas, borlas e laços de seda e respectivas varas, em bom uso.
Duas capas de asperges, uma roxa e outra branca, em uso regular.
Dezanove opas encarnadas, de paninho, em uso regular.
Uma sobrepeliz, em mau uso.
Cinco alvas de linho, em bom uso.
Quatro sanguíneos, em bom uso.
Duas dalmáticas de seda branca, em uso regular.
Uma estola paroquial, em uso regular.
Três toalhas de linho, em uso regular.
Uma haste de cantochão e um livro de ritual de Paulo quinto.
Um livro de bênçãos.
Uma vara de pau.
Três sacras.
Três frontais de seda para sacrário, em mau uso.
Seis castiçais de metal amarelo, em bom uso.

Bens do passal
Uma casa alta, com quintal e palheira contígua, tendo um lagar de fazer vinho dentro, que parte do nascente e norte com rua pública, do poente e sul com Dona Josefa Teles, com um sino para relógio.
Um chão denominado a «Bica», sito na Azenha, limite de Santo Estêvão, que confronta do nascente com Joaquim Martins Alfaiate, poente e norte com caminho público e do sul com José Antunes Tomé.

E não havendo outros bens a inventariar se conclui este auto, ficando tudo entregue ao presidente da junta de paróquia, que vai assinar com os representantes do Administrador do Concelho e do Secretário de Finanças mencionados no princípio deste auto, declarando que o pároco desta freguesia se recusou a fazê-lo.

Existe ainda no processo um arrolamento adicional, datado de 13 de Julho de 1931:
Aos treze dias do mês de Julho de mil novecentos e trinta e um, nesta Igreja paroquial da freguesia da Santo Estêvão, deste concelho do Sabugal, compareceram os cidadãos Afonso Lucas, administrador do concelho, José dos Reis, presidente da comissão paroquial administrativa, José Maria Gonçalves Baltazar, amanuense e representante Câmara Municipal, comigo, José da Costa Ilharco, secretário da repartição de Finanças, indivíduos estes que constituem a Comissão Concelhia de Inventário, nos termos do artigo 63 da Lei de 20 de Abril de 1911, tendo aqui reunido para os fins consignados no artigo 62 da referida Lei, a fim de se proceder ao arrolamento e inventário adicional dos imóveis abaixo mencionados de harmonia com a ofício nº.5703 da 2ª Repartição, Livro 9, fls 140, da Direcção Geral do Ministério da Justiça e dos Cultos, a saber:
IMOVEIS:
a) Igreja paroquial com sacristia e torre, sita à Estrada em Santo Estêvão, confronta tudo do nascente com servidão pública, poente e sul com adro da igreja e do norte com estrada.
b) Adro da Igreja no mesmo sítio, confronta de nascente com a igreja, poente e norte com estrada e do sul com Luís Martins da Hermínia.
MÓVEIS:
c) Dois sinos
De tudo para constar se lavrou o presente auto.

Há ainda um ofício da Direcção Geral da Justiça, dirigido ao chefe da Secção de Finanças do Sabugal, datado de 12 de Março de 1941:
Rogo a V.Exª que, nos termos do artigo 43º, parágrafo 1º, do Decreto-lei nº.30.615, de 25 de Julho de 1940, proceda à entrega dos bens abaixo indicados, às entidades respectivas mencionadas, lavrando para cada entidade auto em triplicado, ficando um dos exemplares de cada auto no arquivo do município, junto aos respectivos arrolamentos, entregando outro à associação ou organização respectiva, e remetendo o terceiro a esta Direcção Geral de Justiça, no prazo máximo de 15 dias, para ser enviado, depois à Direcção geral da Fazenda Pública, para o arquivar.
No próprio auto ou em documento à parte, serão devidamente inventariados também os bens compreendidos na entrega, como se dispõe no parágrafo 2º do citado artigo.
Os bens a entregar são os seguintes:
Para a Fábrica da Igreja Paroquial da freguesia de Santo Estêvão, desse concelho:
A Igreja Paroquial, com todas as suas dependências, e, designadamente o seu adro, e a capela de São Sebastião com todas as suas dependências.
Os respectivos móveis, paramentos, alfaias, e mais objectos do culto existentes na igreja e capela.
Lisboa, 12 de Março de 1941
A bem da Nação
O Director Geral

Fonte:
Arquivo e Biblioteca Digital da Secretaria Geral do Ministério das Finanças (Fundo: Comissão Jurisdicional dos Bens Cultuais)

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«Arrolamento das Igrejas», por Paulo Leitão Batista

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