Campanha arqueológica no castelo de Vila do Touro

Câmara Municipal Sabugal - © Capeia Arraiana

A Câmara Municipal do Sabugal tem a decorrer até ao início de Agosto, a quinta e última campanha de escavações arqueológicas no castelo de Vila do Touro, com professores e alunos da Universidade de Coimbra. Os trabalhos de estudo e investigação arqueológicos visam recolher mais alguns dados sobre a primitiva arquitectura do castelo medieval de Vila do Touro, bem como vestígios das gentes que ali habitaram e vão finalizar os trabalhos que têm vindo a ser desenvolvidos ao longo dos últimos anos.

Portal na muralha do castelo de Vila do Touro no concelho do Sabugal - Capeia Arraiana

Portal na muralha do castelo de Vila do Touro no concelho do Sabugal

Os trabalhos de estudo e de investigação arqueológica no castelo de Vila do Touro, no concelho do Sabugal, com alunos da Universidade de Coimbra decorrem em duas zonas da fortificação medieval «sendo que na parte mais alta as escavações são mais dedicadas ao período medieval e na vertente sul uma outra equipa estuda a ocupação por parte das comunidades que viveram no local há cerca de três mil anos (Proto-história)», informa em comunicado a Câmara Municipal do Sabugal. A nota acrescenta ainda que «a campanha arqueológica visa recolher mais alguns dados sobre a primitiva arquitetura do castelo medieval de Vila do Touro, bem como vestígios das gentes que ali habitaram».

O campo de trabalho é promovido pela Câmara Municipal do Sabugal e conta com a presença dos arqueólogos do Gabinete de Arqueologia e Museologia do Sabugal, aos quais se associam professores e alunos da Universidade de Coimbra.

A autarquia destaca a colaboração com a Universidade de Coimbra que se tem «mostrado bastante frutífera ao longo dos anos, fruto de um protocolo existente entre as duas instituições» sublinhando que «tem sido em terras do Alto Côa que, por tradição, diversos alunos do país inteiro obtiveram experiência prática para a sua formação académica, dispensando parte das suas férias em trabalho voluntário nas escavações da responsabilidade do município».

Segundo a Câmara Municipal do Sabugal «com a assinatura do Tratado de Alcanizes com Castela e Leão, por Dom Dinis, em 1297, Vila do Touro deixou de ter cariz fronteiriço e perdeu a sua importância estratégica, daí que a lenta construção da fortificação tenha sido interrompida».

«Atualmente, a construção militar encontra-se reduzida praticamente a dois troços de pano de muralhas, encavalitados entre as penedias e desguarnecidos de ameias. Uma parte delimitando a cumeada nascente do morro e a outra linha defendendo o lado ocidental», indica o comunicado.

A autarquia refere ainda que «bem firme na rocha, grande parte da cerca encontra-se ainda intacta, com a altura máxima de quatro metros, estando o resto dos silhares derrubados pela encosta ou reutilizados no casario da povoação» e sendo ainda possível observar «uma porta de arco ogival, do lado poente da fortificação, em bom estado de conservação, mas inacabada; bem como alguns testemunhos de edifícios encostados à muralha oriental, feitos de granito aparelhado, praticamente ao nível dos alicerces».

Vila do Touro foi «um centro destacado de hierarquia populacional, tendo ganho importantes funções político-militares e municipais, até às reformas liberais do século XIX (1836), altura em que foi integrado no concelho do Sabugal», pode ainda ler-se na informação do município do Sabugal.

Os resultados obtidos na campanha arqueológica em curso serão publicados numa edição que o município do Sabugal pretende apresentar ao público.

jcl (com agência Lusa)

Deixar uma resposta