Um defensor e um opositor do tabaco

Olivier de Serres, célebre agrónomo e escritor francês do final do século XVI, foi um eminente propagador das qualidades do tabaco. Já para o inglês Peter Columbell, que viveu na mesma época, o tabaco era detestável por ser nocivo para o indivíduo e para a sociedade.

Fumando tabaco

Para o ilustre cientista francês Olivier de Serres o tabaco era uma erva que combatia todos os males. Considerava-a uma espécie de panaceira, à qual nenhuma doença resistia, defendendo portanto a generalização do seu consumo.
Mas ao mesmo tempo que, graças à autoridade científica de Serres, o tabaco era divinizado em França, ele era desacreditado em Inglaterra por Peter Columbell. Este nobre e grande proprietário inglês ocupava-se em depreciar o tabaco, designando-o por «erva suja e fétida» e afastava da sua presença todos os que fumavam, mascavam ou cheiravam tão horrendo produto. Tão grande era a aversão de Columbell ao tabaco que no seu testamento proibiu os seus filhos e demais herdeiros de o usarem, determinando, em caso de contravenção, o imediato deserdo e a passagem dos bens para os hospitais. Os herdeiros respeitaram de facto a última vontade do convicto testador, não consumindo a nefasta e nociva planta. Porém consta que em vez de se entregarem ao vício da nicotina, se deram às delícias do vinho e do whiskey, tornando-se quase todos eles inveterados e incorrigíveis alcoólicos.
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Por Paulo Leitão Batista

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