Passam os anos fica a saudade… (2)

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - © Capeia Arraiana (orelha)

A Rua Principal da então vila do Sabugal da minha meninice era muito diferente da de hoje…

Sabugal antigo - Casa dos Britos - Capeia Arraiana

A Rua Principal e a Casa dos Britos no Sabugal

Pedindo desculpa por algum esquecimento ou imprecisão, e agradecendo desde já as correções que se imponham, relembro esta Rua, centro nevrálgico da vila do Sabugal.

Subindo a partir do Largo da Fonte, encontrava-se, do lado esquerdo, a tasca do Ti Emídio Campainhas, onde o grupo do meu pai costumava beber uns copos e comer, quando não uma espetada de enguias, uns petiscos preparados pelo «Menino Ruizinho».

Seguia-se a casa do meu tio Zé Nunes, tendo no rés-do-chão o comércio do sr. Herculano e a loja do sr. Marques, de motores de rega e outras máquinas. Desta loja, para além do sr. Marques, lembro o sr. Pinto Monteiro.

Vinha depois a tasca (onde hoje é um café) e a nossa casa onde pontuava o T’Zé Paca, barbeiro, dentista e feroz matador de porcos!

As casas seguintes eram do sr. Vergílio Monteiro, do sr. Marques (ou seria Rodrigues?), a que se seguia a farmácia da D. Lucinda, com a muito querida Ilda (que ainda hoje me chama de Miro).

Passada a travessa ficava o comércio do meu primo «Tó Doutor», o Fausto Baltazar e a peixaria da minha Ti Prazeres e da minha madrinha Maria Adelaide.

Seguia-se a alfaiataria do sr. Albano, que me fez os meus primeiros fatos e calças, e onde mais tarde se fixou o seu filho e meu grande amigo, o Vergílio.

O sr. Albano era vizinho da ourivesaria do Manel Andrade, pai do Ilídio e do David.

Não posso esquecer a casa seguinte, residência de uma das figuras mais populares do Sabugal, o «Fernandinho» e que mais tarde serviu de residência do padre Soita, enquanto pároco do Sabugal.

Já mais perto da igreja ficavam os Correios, com a casa do chefe no 1.º andar e onde vivia uma das minhas grandes amigas de infância, a Fátima, a relojoaria do sr. Silva, pai do e do João Manata, e a loja de meu tio Belmiro e do meu saudoso primo Óscar, onde se comprava desde sal a sementes. Também neste pequeno largo ficava a Pensão da Céuzinha.

Seguindo a caminho do Largo da Câmara, lembro-me bem do talho do Ti Luís Torres, da barbearia (sim era mesmo), mais tarde loja de eletrodomésticos do sr. David Alexandre, mais tarde a Foto Império e da cervejaria/café do Ti Adérito Carreto, onde me deliciava a ver o meu padrinho Horácio e os seus amigos a jogar bilhar, a que se seguia a barbearia do sr. Carriço. A rua terminava na loja do sr. Geraldo, onde trabalhava o sr. Germano, pai do Carlos Alberto e do Toni, e onde hoje está o sr. Alfredo.

Não era tão cheio o lado direito da rua

Começava por uma tasca a que se seguia a casa do sr. Casimiro, sapateiro, a loja do «Teles Rato» e a casa do sr. Amadeu. Na casa dos meus pais, onde agora é a barbearia do Carlos, era a loja do «Corracha».

Já não me lembro bem de como era a casa e a taberna onde hoje está o Girassol, mas ainda me lembro de mais tarde ali ser o depósito de mobílias e caixões do sr. Fausto Baltazar.

Logo a seguir eram as alfaiatarias do Tó Bicha (e onde trabalharam dois grandes amigos meus, o Luís e o Manel), e do sr. Adelino, a que se seguia a pensão da D. Armandinha (como eu gostava de ir ver os caçadores com os carros cobertos de coelhos, lebres e perdizes que estacionavam à porta da pensão na altura da caça…)

Passada a rua da Misericórdia ficava o comércio do sr. Amadeu. Antes da igreja, era a farmácia do «Farpelinhas» e a seguir a igreja, não como está agora, pois deste lado havia umas escadas redondas onde muito brinquei à «carica». Por cima desta escada havia um pequeno largo onde igualmente muito brinquei e joguei à bola, como falarei noutro dia…

A casa seguinte era do sr. Azevedo (ainda me lembro do seu filho deficiente à janela). E a rua terminava na casa dos Britos, a das escadas redondas (outro local para jogar à «carica» e onde, aos domingos a «Ti Rouca» chegava com o seu saco de tremoços, delícia maior…), que tinha a loja do sr. Afonso «Moco», avó do meu grande amigo Zé Manel.

E era assim, a rua Principal da minha vila do Sabugal há 60 anos!…

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«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

One Response to Passam os anos fica a saudade… (2)

  1. Manuel Nunes diz:

    Parabéns! Bela e excelente memória!

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