Casteleiro – Palavras do meu tempo…

José Carlos Mendes - A Minha Aldeia - © Capeia Arraiana

De vez em quando dão-nos estas vontades inadiáveis de recordar as coisas da nossa meninice. Hoje trago-lhe mais algumas palavras e realidades desses tempos áureos.

Aldeia do Casteleiro no concelho do Sabugal - Capeia Arraiana

Aldeia do Casteleiro no concelho do Sabugal

As palavras que lhe trago são hoje quase esquecidas – e tenho pena qe assi seja. Isso porque se trata de termos e sensações por eles tradudizidas que vêm dos meus tempos de meninio, em que tudo era simples e tranquilo, natural e único. Depois a gente cresce, vai estudando melhor as coisas e o mundo aparece-nos muito mais relativo do que absoluto. Mas gosto de lembrar tudo isso… Venha daí comigo.

Galula - A flor do marmeleiro - Capeia Arraiana

Galula – A flor do marmeleiro

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Galula

O marmeleiro tem uma flor muito saborosa.
Chama-se na minha aldeia a «Galula».
Sei que há terras onde galula é «acepipe», coisa muito boa de comer.
Por exemplo, em Trás-os-Montes.
Recordo que se trata de uma planta de origem asiática – deve ter vindo na leva de experiências dos descobrimentos…
A flor do marmeleiro comia-se com todo o prazer e era muito «gulosa» de facto.

Chora - Flor da Oliveira - Capeia Arraiana

Chora – Flor da Oliveira

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Chora

Sabem como e que na minha terra se chamava e ainda chama à flor da oliveira?
É a «Chora».
Realmente, se olharmos as oliveiras no final da Primavera, parece que elas estão a lacrimejar, a chorar: as flores branquinhas começam então a deitar aquele derrame amarelado…
É a chora, de facto.
Lembro aqui que a oliveira nos chegou do Médio Oriente e do Norte de África. Quero lembrar que se sabe que há oliveiras na Palestina desde pelo menos há 6.000 anos.
E quero sobretudo lembrar que o ramo de oliveira é símbolo de Paz.
E também que na Pácoa se assinala(va) a Festa da Ressiurreição com ramos de olveira…

Tranca da porta do palheiro ou do curral - Capeia Arraiana

Tranca da porta do palheiro ou do curral

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Tranca da porta

Quando se chegava da terra onde toda a gente sabe o que é a «Tranca da porta» e se entra nas casas de Lisboa naqueles idos de 70 ou mesmo à beira deles… fosse lá a gente falar de trancas ou sequer procurar a tranca para fechar bem a porta para que nenhum ladrão entrasse de noite!!!!
Essa não lembrava ao diabo, não é?
A tranca da casa dos meus pais era de ferro e já era daquelas modernas da altura, ali muito bem encaixadinha, ali por detrás da metade direita da porta, quando se saía, aquela metade que não se abria habitualmente.
A do meu avê cá de cima também.
Mas na casa e na loja dos meus padrinhos lá de baixo ainda era tudo à boa maneira de antigamente: forte e feio: tudo em madeira. um pedaço de pau bem encaixado na pedra da parede e numa saliência da porta… ou seja: tudo «como mandava a lei».

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«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

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